O Citroën DS sempre se assumiu com um veículo elegante, confortável, fruto da sua suspensão pneumática, aerodinâmico e com uma estética inconfundível. Mas o primeiro – e o único, na opinião de muitos – modelo de luxo francês tem hoje uma idade muito respeitável, entre 46 e 66 anos, pelo que as mecânicas começam a evidenciar o peso da idade, exigindo investimentos consideráveis para não queimar óleo e funcionar que nem um relógio. Estas dificuldades e custos levam cada vez mais condutores a optar por electrificar o modelo.

Esta unidade foi adaptada à motorização eléctrica pelos britânicos da Electrogenic, em Oxfordshire, que retiraram do seu lugar o quatro cilindros a gasolina, cuja capacidade oscilava entre 1911 cc e 2347 cc, consoante a idade e versão do DS, do 19 ao 23. No mesmo espaço foram instalados um motor eléctrico e uma bateria, além do sistema de gestão de energia e um redutor da rotação do motor, que se pode designar por caixa de uma só velocidade.

O motor de 2175 cc deste DS21 de 1971 fornecia 115 cv e 171 Nm de binário às 4000 rpm. O novo motor eléctrico debita 120 cv e um torque de 234 Nm, praticamente a partir da primeira rotação, o que lhe permite uma vantagem esmagadora em matéria de resposta ao acelerador.

A alimentar a mecânica está uma bateria com 48,5 kWh de capacidade, que garante uma autonomia de 225 km. Mas, se o cliente desejar, pode adquirir o pack mais generoso de acumuladores, que estende a distância a percorrer entre recargas até aos 320 km. O carregamento pode ser realizado até uma potência de 29 kW em DC, o que permite elevar a carga de 0% a 100% em cerca de duas horas.

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O Citroën DS EV Electronic, assim se denomina a versão eléctrica do modelo francês, obrigou a algumas transformações extras para manter em funcionamento aqueles que eram os seus principais trunfos à época, a começar pelas suspensões pneumáticas autonivelantes, travões hidráulicos por disco, direcção assistida e faróis direccionais. A totalidade destes sistemas (à excepção dos faróis que viravam solidariamente com as rodas anteriores) careciam de pressão de óleo, que era até à transformação assegurada pelo motor. A bomba original teve de ser substituída por uma eléctrica.

Se gosta deste conceito, de carros clássicos convertidos ao funcionamento eléctrico, saiba que não é necessário deslocar-se a Inglaterra, uma vez que existem algumas empresas a funcionar em Portugal, tendo o Observador já divulgado alguns trabalhos realizados pela EVolution (Zeev).