No Rio de Janeiro, acabado de conquistar o ouro nos 130kg da luta greco-romana, Mijaín López colocou a medalha ao peito e bem perto de outra que já trazia de casa, a da Virgem do Rosário de Córdoba de Cuba. Tricampeão olímpico, já bem para lá dos 30 anos, sem grandes coisas para ainda alcançar, foi obviamente questionado sobre a possibilidade de ainda chegar a Tóquio, nuns teóricos quatro anos depois. “Estou a pensar. Vou ver pelos treinos e vou ouvir a opinião do meu treinador. Vamos ver se conseguimos chegar lá”, disse. Mijaín não só conseguiu chegar lá como chegou, viu e voltou a vencer.

O atleta cubano de 38 anos venceu esta segunda-feira a competição dos 130kg da luta greco-romana, ao bater o georgiana Iakobi Kajaia na final, e alcançou a quarta medalha de ouro da carreira, depois de Pequim, Londres e Rio de Janeiro. Com esta vitória, que provou novamente que ainda não tem par na respetiva categoria, Mijaín López igualou lendas como Michael Phelps ou Carl Lewis enquanto atletas que conquistaram quatro ouros na mesma prova em quatro edições distintas dos Jogos Olímpicos.

Mijaín, que é um autêntico ídolo em Cuba e foi o porta-estandarte do país na cerimónia de abertura, foi descoberto por um treinador que o viu a praticar boxe, o desporto a que os irmãos se dedicavam. Impressionado com a força que já demonstrava, apesar de ser muito novo, o técnico encorajou-o a experimentar a luta greco-romana. O agora atleta tentou, apaixonou-se e não voltou a praticar outra modalidade. De repente, a infância passada a carregar animais e caixas de fruta às costas, como o próprio já contou, começava a compensar.

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O cubano conseguiu ultrapassar uma dupla fratura na perna, em 2008, e dominou por completo a disciplina na década seguinte. Em 2010, Cuba apanhou um susto: surgiram notícias de que Mijaín López, tal como tantos outros atletas, tinha desertado e fugido para Miami, nos Estados Unidos, onde iria dedicar-se à MMA. A informação, porém, foi desde logo rejeitada pelo Mijaín, que garantiu que não tinha quaisquer intenções de deixar o país onde nasceu e cresceu. E a verdade é que o cubano, que é natural de Pinar del Río, faz questão de provar isso mesmo sempre que ganha uma medalha de ouro.

Em Pequim, em Londres e no Rio de Janeiro, Mijaín López dedicou o ouro a Fidel Castro. Em Tóquio, nos primeiros Jogos Olímpicos já depois da morte do líder cubano, o atleta não falhou. “Nunca vou deixar de lhe agradecer e hoje tenho de o fazer outra vez. Agradecer e dedicar a medalha ao nosso comandante invicto. Foi ele que levou o desporto para Cuba pela primeira vez. Aquilo que somos hoje é graças a ele e aos seus esforços para que a nossa revolução seguisse em frente”, atirou.