Carlos Tavares, CEO da Stellantis, revelou os resultados do grupo que controla 14 marcas, claramente acima das expectativas, com receitas líquidas de 75,3 mil milhões de euros (crescimento de 46%) no primeiro semestre do ano e um resultado operacional corrente de 8,6 mil milhões de euros, com uma margem de 11,4%.

No que respeita ao curto prazo, Tavares garantiu novamente que não haverá necessidade de adquirir créditos de carbono para cumprir as metas impostas por Bruxelas, num mercado europeu em que a Peugeot foi a segunda marca mais vendida, o Opel Corsa foi o líder das vendas na Alemanha e no Reino Unido e o Fiat 500e é o eléctrico mais vendido em Itália e em mais nove outros países.

Mas se os bons resultados são sempre bem-vindos, sobretudo quando ao leme está um cada vez mais reputado “capitão” português, não faltaram novidades sumarentas quanto à estratégia para o futuro. A aposta na mobilidade eléctrica, mais determinada e com uma visão de longo prazo, com plataformas específicas e fábricas adaptadas foi reconfirmada, com Tavares a garantir 11 novos modelos eléctricos a bateria e 10 novos híbridos plug-in, tudo nos próximos 24 meses. A gama de veículos comerciais vai ser integralmente electrificada, com os primeiros furgões com fuel cell a surgirem ainda em 2021. Além da aposta em veículos voadores com descolagem e aterragem vertical, em associação com a Archer, e o desenvolvimento de uma rede de carga rápida com a Engie.

Este é o homem que vai reanimar a Lancia

As novidades mais aguardadas diziam respeito às marcas do grupo que iriam avançar primeiro para a produção exclusiva de veículos 100% eléctricos, com a DS a liderar o processo, abandonando os motores de combustão em todos os carros novos lançados a partir de 2024 (os modelos já em comercialização continuarão a ser fabricados até ao fim de ciclo). A Lancia, que estava moribunda há anos, comercializando apenas um modelo, o Ypsilon, e somente em Itália, vai renascer qual Fénix. A partir de 2026 começam a surgir novos modelos desta marca italiana e todos eles eléctricos a bateria.

O que esperar da Alfa Romeo, Lancia e DS nos próximos anos

Mas a maior surpresa veio da Alfa Romeo, uma das marcas com maior potencial dentro do grupo Stellantis e das poucas que compete nos três principais mercado, ou seja, Europa, América do Norte e China. Espera-se para ainda este ano a chegada do SUV compacto Tonale, para no ano seguinte ser a vez do pequeno SUV Brennero. Mas certo é que, a partir de 2027, a Alfa Romeo apenas lançará modelos novos com mecânicas eléctricas e com a energia armazenada em baterias. A Opel passará a eléctrica em 2028 e a Fiat dois anos depois, em 2030.

Tendo em conta que Tavares foi dos CEO que mais questionou a mobilidade eléctrica, esta aposta não deixa de ser surpreendente. Contudo, a mudança de estratégia apenas acontece porque o gestor português agora já acredita – com o actual desenvolvimento da tecnologia e o que se espera que venha a acontecer para os próximos anos, em termos de preços e densidade energética das baterias – que seja possível ganhar mais dinheiro com os eléctricos do que com os actuais veículos com motores de combustão.

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