A menopausa natural, causada pela perda de função dos ovários, acontece normalmente entre os 47 e 52 anos, mas para algumas mulheres pode acontecer bem mais cedo, ainda antes dos 40 anos. A identificação de 290 genes associados ao envelhecimento dos ovários (antes eram conhecidos apenas 56) pode ajudar a prever quando é que isso vai acontecer e retardar o momento.

As mulheres nascem com todos os óvulos que terão ao longo da vida e que vão perdendo, gradualmente, com o avançar da idade. O problema é que a esperança média de vida nos países desenvolvidos aumentou de 45 para 85 anos, nos últimos 150 anos, e, em Portugal, a idade da primeira gravidez passou de 25 para 30 anos, nos últimos 30 anos, sem haver, no entanto, uma alteração na idade média da menopausa.

A perda de função dos ovários numa idade precoce é um problema para as mulheres que ainda esperam ser mães ou que querem ter mais filhos, mas também para as mulheres em geral porque aumenta o risco de desenvolvimento problemas na saúde óssea ou de diabetes tipo 2. Os tratamentos que adiem a menopausa podem reduzir estes riscos, mas também aumentam o risco de aparecimento de cancro que são influenciados pelas hormonas, escrevem os autores do artigo publicado na Nature.

“A utilidade e a razão custo-benefício da pontuação poligénica das mulheres [com base na variação dos genes], na população em geral e naquelas com historial familiar de menopausa precoce ou insuficiência ovárica primária, ainda está por avaliar”, disse Krina T. Zondervan. A investigadora no Departamento de Saúde Reprodutiva e da Mulher na Universidade de Oxford, que não participou no estudo, acredita que nas mulheres com menopausa precoce os benefícios vão superar os riscos.

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Os comportamentos e outros fatores não genéticos podem condicionar a idade da menopausa — má nutrição na infância e tabagismo antecipam e obesidade adia —, mas estima-se que 50% da variação na idade dependa de fatores genéticos. Mas a forma como essas variações afetam a idade da menopausa varia com a etnia. O estudo incluiu 200 mil mulheres de origem europeia, mas um outro com 100 mil mulheres de origem asiática deu resultados diferentes, destacou Krina T. Zondervan num comentário ao artigo.

Zondervan lembrou que há muitos fatores que afetam a idade reprodutiva que ainda estão por explicar, mas confirmou que a investigação, agora divulgada, permite “um avanço significativo no conhecimento dos mecanismos genéticos e moleculares que sustentam o envelhecimento dos ovários e a idade da menopausa natural”.