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Luís Marques Mendes considera que falta coragem política a António Costa para fazer uma remodelação que afaste ativos tóxicos de um governo que está “esgotado”. Para o antigo líder social-democrata, o primeiro-ministro tem medo do impacto político de uma possível remodelação e da reação dos ministros que podem deixar o Executivo.

No seu habitual espaço de comentário na SIC, Marques Mendes pôs as coisas nestes termos: “A coragem não é o ponto forte do primeiro-ministro. Ele é um político hábil mas não é político corajoso. Fazer uma remodelação é um ato de coragem: os Ministros que saem tendem a ficar furiosos com o primeiro-ministro. Alguns levam mesmo a sua fúria ao afastamento pessoal e político dentro.”

Para o social-democrata, António Costa resiste em remodelar o Governo por outras duas razões: “sente-se forte e sente as costas quentes” perante a ausência da oposição; e tem uma “atitude de uma certa arrogância”.

“Isto aplica-se sobretudo ao caso do MAI. Eduardo Cabrita já devia ter saído do Governo há muito tempo. Está mais que fragilizado. Só se mantém porque é amigo pessoal do PM. Parece que tem lugar cativo no Governo por ser amigo de António Costa. Isto não é aceitável. Parece uma afronta aos portugueses”, argumentou Mendes.

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O caso de Eduardo Cabrita

De resto, o antigo líder social-democrata aproveitou o seu espaço de comentário para abordar os dois temas mais sensíveis para Eduardo Cabrita: a morte de Ihor Homeniuk às mãos de agentes do SEF; e o atropelamento mortal provocado pelo carro onde seguia o ministro da Administração Interna.

“[No caso do SEF], Já houve responsabilidades criminais e disciplinares. E as responsabilidades políticas do Ministro? Continuam sem ser assumidas. Ora um caso grave como este não se resolve apenas com ações disciplinares e criminais. É preciso tirar também consequências políticas. É o que falta”, defendeu Marques Mendes.

Sobre o caso do atropelamento mortal, o comentador deixou duas questões: que razão existe para ainda não se saber a velocidade do carro em que seguia o ministro e o porquê da demora no inquérito conduzido pela GNR.

“Será que a GNR não percebe que quanto mais tempo demorar a fazer este inquérito mais suspeitas se criam de que está a proteger o Ministro? A GNR é tutelada por Eduardo Cabrita. Eduardo Cabrita é parte interessada. Quanto mais tempo o secretismo durar, mais suspeitas se instalarão em torno do Ministro e em torno da GNR”, rematou o social-democrata.