A fadista Mariana Silva, que em 1952 foi eleita “Rainha do Fado Menor”, morreu na quarta-feira, em Lisboa, aos 87 anos, disse à agência Lusa fonte próxima da família.

Natural de Lisboa, Mariana Silva, então conhecida como “a miúda do Alto Pina”, estreou-se aos 10 anos atuando na União Artística e no Salão Monumental, na capital, mas artisticamente começara, aos 5 anos, como trapezista e contorcionista no Circo Transmontano, onde se manteve até aos 12.

Aos 14 anos, apesar de menor, foi autorizada a cantar pela Inspeção Geral dos Espetáculos, como deu conta o jornal Ecos de Portugal, na sua primeira página de 01 de maio de 1948, dando conta da sua popularidade.

Em 1948, a fadista foi apresentada como “possuidora da mais linda voz fadista”, segundo um cartaz da sua atuação na Ericeira, nos arredores de Lisboa.

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Em 1952, foi eleita no Teatro Apolo, em Lisboa, “Rainha do Fado Menor”, destacando a sua forma de interpretar. Mariana Silva teve êxitos como “Erva da Rua”, “Minha Sina”, “Santa Mãe”, “Amar não é Pecado” ou “A Sina das Marianas”.

A fadista, que encerrou a sua carreira na casa de fados A Parreirinha de Alfama, em Lisboa, em 1999, fez ainda parte dos elencos do Retiro dos Marialvas, Solar do Marceneiro, Adega Patrício, Adega Mesquita, Adega Machado, Lisboa à Noite, Forcado, Tipóia, Timpanas, Viela e Solar de Márcia Condessa.

Em 1960, o poeta Carlos Conde (1901-1981) dedicou-lhe, na revista Plateia, os seguintes versos: “Voz que ao Fado sabe dar O que o Fado deve ter: – O Estilo de bem cantar E a arte de bem dizer! Ternura, fé, vibração, Tudo nela se condensa; Impõe-se pela expressão E marca pela presença! Porque a cantar honra o Fado, Só por isso a Mariana Tem hoje lugar marcado No ‘Galarim da Semana’!”.

A fadista gravou com Manuel Fernandes (1921-1994), Filipe Duarte e Maria Amélia Proença.

O velório de Mariana Silva realiza-se esta quinta-feira a partir das 16h na igreja de Almada, no distrito de Setúbal, de onde na sexta-feira às 14h sai o funeral, depois de celebrada missa de corpo presente, seguindo para o crematório do Feijó, no mesmo concelho.