Os talibã “massacraram” e torturaram vários membros da minoria hazara, em Ghazni, no Afeganistão, segundo a Amnistia Internacional. Terá sido no início de julho, diz a organização com base em entrevistas a testemunhas e provas fotográficas que lhe chegaram.

Os hazaras são um povo de origem mongol que residem principalmente na região central do Afeganistão conhecida como Hazarajat. São uma comunidade há muito vítima de discriminação não só no Afeganistão (de maioria sunita) como, também, no Paquistão.

De acordo com a BBC, que se baseia no relatório da Amnistia Internacional, pelo menos nove homens terão sido mortos, entre 4 e 6 de julho, na região de Malistan (Ghazni). Seis homens terão sido mortos com tiros, alguns na cabeça, e outros três terão sido torturados até à morte.

Foi, segundo a Amnistia Internacional, um “indicador horrível” da forma como os talibãs estão a atuar, embora entretanto tenham feito promessas de moderação à comunidade internacional, depois de tomarem o poder no país.

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Talibãs perseguem e ameaçam de morte quem colabora com as Nações Unidas e a NATO

Apesar de prometerem que iam “perdoar” todos os afegãos, os talibãs estão a perseguir, a “prender” ou “a ameaçar de morte” aqueles que trabalhem para as Organização das Nações Unidas (ONU) e para a Nato, denunciou um outro relatório a que a BBC e outros meios de comunicação tiveram acesso na quinta-feira – neste caso da ONU.

Segundo o relatório, os talibãs estão a ir de porta em porta, à procura dos seus alvos e ameaçando as suas famílias. O documento indica que as pessoas que trabalham para a polícia e nas forças armadas são aqueles que estão mais em risco. “Os talibãs têm elaborado um mapeamento dos invidíduos [mais importantes] antes de controlarem as maiores cidades”, lê-se ainda no documento, que indica que os talibãs têm “listas prioritárias” de pessoas que querem prender.

Aqueles que correm mais riscos são os que ocuparam postos de responsabilidade nas Forças Armadas afegãs, polícia e unidades de recolha de informações, indica o relatório.

“Eles estão a escolher como alvo as famílias daqueles que recusam entregar-se, e a perseguir e castigar as suas famílias de acordo com a Lei da Sharia“, disse Christian Nellemann, diretor-executivo do Norwegian Center for Global Analyses, que escreveu o relatório. “Prevemos que tanto os indivíduos que trabalharam anteriormente com a NATO e com as forças dos EUA e seus aliados, bem como os seus familiares, poderão estar expostos a tortura e execuções”, avisa o responsável.

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Depois da tomada do poder, após uma campanha militar fulgurante, as forças talibãs proclamaram o Emirado Islâmico, em Cabul, tendo afirmado desde o princípio da semana que não procuram exercer atos de vingança contra os antigos inimigos e que estão dispostos para “a reconciliação nacional”.

Os talibãs já disseram que há “muitas diferenças” na forma de governar, em relação ao seu período anterior no poder, entre 1996 e 2001, quando impuseram uma interpretação da lei islâmica que impediu as mulheres de trabalhar ou estudar e que puniu criminosos de delito comum com punições severas como amputações ou execuções sumárias.