Um empresário da região centro é suspeito de ter aproveitado a proximidade das eleições autárquicas para cometer crimes de burla qualificada, que poderão ter ultrapassado “a centena de milhares de euros”, anunciou a Polícia Judiciária (PJ).

Em comunicado, a PJ explica que, “aproveitando a proximidade das eleições autárquicas, assim como o previsível lançamento de programas para a recuperação económica, o suspeito terá estabelecido contactos ao nível empresarial, autointitulando-se titular de cargo político com capacidade de decisão em matéria de contratação pública”.

O indivíduo chegaria mesmo a fazer-se passar por candidatos às autárquicas de todo o país, disse uma fonte da PJ ao Observador. Com base dos programas eleitorais reais dos vários candidatos e partidos, o suspeito mencionava obras realmente propostas pelos candidatos e prometia-lhes condições especiais para participar nelas. Os pretensos visados não saberiam destes atos.

Como as supostas vítimas pretendiam contribuir para as campanhas de modo a obter favorecimentos, elas mesmas serão investigadas pela PJ para determinar se essas intenções não constituem já por si um crime. Mas as autoridades preferiram avançar já para travar o alegado burlão o mais depressa possível. Aliás, esta foi uma operação relativamente curta: passou menos de um mês entre a sinalização do crime e a detenção do indivíduo.

O empresário de 56 anos pedia, “como meio de assegurar o favorecimento das empresas em obras a lançar ou na execução dos programas, verbas supostamente para o financiamento de campanhas eleitorais”, acrescenta. Segundo a PJ, o suspeito “rodeava-se das maiores cautelas no recebimento das importâncias, privilegiando a sua recolha junto da receção de unidades hoteleiras, por empresas de transporte urgente”.

A PJ, através do Departamento de Investigação Criminal de Aveiro e no seguimento de diligências de investigação, acabou por o deter “na sequência de um recebimento de dez mil euros”. “Estima-se que o valor global recebido através deste estratagema ultrapasse a centena de milhares de euros, proveniente de várias empresas”, acrescenta.

A PJ refere que o arguido estava insolvente e já se encontrava referenciado por crimes de natureza patrimonial, aguardando julgamento num dos processos.

Depois de ter sido presente às autoridades judiciárias da comarca de Aveiro para primeiro interrogatório judicial, o arguido ficou obrigado a apresentar-se diariamente num órgão de polícia criminal local, proibido de se ausentar do concelho de residência e de qualquer contacto com os envolvidos no processo.

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