A Marinha Real de Marrocos resgatou desde quinta-feira passada 438 migrantes que se encontravam em perigo em embarcações precárias no mar Mediterrâneo e no oceano Atlântico, informou na segunda-feira a agência noticiosa marroquina MAP.

Os migrantes, a maioria oriundos da África subsaariana, “receberam os primeiros socorros a bordo das unidades da Marinha Real, antes de serem transportados sãos e salvos para os portos mais próximos do reino” marroquino, avançou a MAP, citando uma fonte militar, segundo divulgaram esta terça-feira as agências internacionais.

Entretanto, a MAP precisou esta terça-feira que as autoridades marroquinas intercetaram no domingo 58 migrantes, incluindo 11 mulheres, ao largo de El Aaiún, no Saara Ocidental (território no norte de África anexado por Marrocos).

Todos oriundos da África subsaariana, os migrantes tentavam efetuar a travessia marítima em direção ao arquipélago espanhol das Canárias.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) informou há uma semana que cerca de 50 migrantes estavam dados como desaparecidos, e que provavelmente teriam morrido em alto mar, na chamada rota migratória da África Ocidental, em direção às Canárias.

Na altura, a OIM indicou que os migrantes teriam partido “com toda a probabilidade” da região de El Aaiún.

A rota da África Ocidental, que atravessa o Atlântico e a costa oeste de África até às Canárias, é conhecida por ser extremamente perigosa, por causa das fortes correntes marítimas.

Mesmo com tais perigos, esta rota tem atraído cada vez mais migrantes, sobretudo provenientes de países da África subsaariana, que desejam chegar ao território europeu, a grande maioria a bordo de embarcações muito precárias e sobrelotadas.

Apesar do reforço dos controlos e das restrições de movimento associadas à pandemia de covid-19, os fluxos migratórios para a Europa não pararam, tanto no Atlântico como no Mediterrâneo.

Nos primeiros seis meses deste ano, 2.087 migrantes morreram quando tentavam fazer a travessia até ao território espanhol, segundo a organização não-governamental (ONG) Caminando Fronteras.

Quase 2.000 migrantes chegaram de forma irregular a Espanha nos primeiros 15 dias de agosto, elevando o número de entradas irregulares registadas desde o início do ano para mais de 18.443, divulgou, na semana passada, o Ministério do Interior espanhol.

Este valor total representa um aumento de 54,1% em comparação com o período homólogo de 2020.

Segundo os mesmos dados, a maioria dos migrantes que chegaram até meados de agosto ao território espanhol fê-lo por mar: 17.060 pessoas, a bordo de 1.101 embarcações.

Em termos homólogos, este número representa um aumento de 61,5% em relação ao ano passado.

Espanha, a par da Grécia, Itália ou Malta, é um dos países da “linha da frente” ao nível das chegadas de migrantes irregulares à Europa.