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A China não irá aceitar “ser o bode expiatório” dos EUA e “quem acusar a China, sem fundamentos, tem de estar preparado para um contra-ataque“. O aviso foi feito esta quarta-feira por Fu Cong, diretor-geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, que acrescentou que se alguém quer investigar “a hipótese” (não descartada pela OMS) de uma fuga do vírus de um laboratório “então também faz sentido ir investigar os laboratórios dos EUA”.

As autoridades chinesas têm colocado em cima da mesa a ideia de que o Sars-CoV-2 poderá ter saído não de um laboratório em Wuhan mas, sim, dos laboratórios de um instituto de pesquisa no estado do Maryland, o Fort Detrick. “Se o dr. Tedros [Tedros Adhanom Ghebreyesus, líder da Organização Mundial de Saúde (OMS)] acredita que não podemos excluir a hipótese de uma fuga de um laboratório, então ele sabe onde tem de ir – tem de ir aos laboratórios norte-americanos“, atirou, citado pela Associated Press.

O Presidente norte-americano, Joe Biden, recebeu esta quarta-feira um relatório inconclusivo, elaborado pelos serviços secretos dos EUA, sobre as origens do novo coronavírus. Segundo duas fontes ouvidas pelo The Washington Post, não foi possível apurar se o vírus passou de um animal para um humano — tendo origem natural — ou se foi criado em laboratório, as duas hipóteses que os serviços de inteligência veem como prováveis.

“Inconclusivo”. Biden recebe relatório dos serviços secretos sobre origens do novo coronavírus

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Fu Cong afirma, questionado pelos jornalistas acerca deste relatório, que a China “vai continuar a cooperar com organizações internacionais como o OMS na sua pesquisa e na sua busca pelas origens do vírus”. “Mas não aceitaremos acusações infundadas que têm motivação política”, afirmou, acrescentando: “Se eles querem acusar a China de forma infundada, então é bom que estejam preparados para um contra-ataque“.

Em fevereiro, a administração Biden mostrou-se insatisfeita com os resultados preliminares de investigações, realizadas no início deste ano, por peritos internacionais em Wuhan para procurar a possível origem da pandemia, e consideraram que as autoridades chinesas tinham retido dados dessa missão da Organização Mundial de Saúde (OMS). Esta pediu nova investigação que foi recusada pela China.

“Impossível aceitar”. China recusa nova averiguação da OMS sobre a origem do Sars-Cov-2