A agência de notação DBRS manteve esta sexta-feira o ‘rating’ da dívida pública portuguesa em “BBB” (alto) com perspetiva estável.

“A DBRS confirmou esta sexta-feira o ‘rating’ de longo prazo […] da República Portuguesa em ‘BBB’ (alto)”, indicou, em comunicado, a agência canadiana.

O ‘rating’ é uma classificação atribuída pelas agências de notação financeira que avalia o risco de crédito (capacidade de pagar a dívida) de um emissor, que pode ser um país ou uma empresa.

No documento, a DBRS notou que o impacto da pandemia de Covid-19 na economia portuguesa foi severo, deixando-a, a partir do segundo trimestre, abaixo dos níveis de produção do final de 2019.

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A paralisação do consumo privado foi responsável pela maior parte da contração na procura interna, apontou, acrescentando que o “colapso do turismo” também levou a uma queda significativa nas exportações.

O lançamento da vacina, a flexibilização das restrições e melhores condições de saúde, bem como os fundos da União Europeia, devem acelerar a recuperação, perspetivou.

A Comissão Europeia (CE) prevê para a economia portuguesa um crescimento de 3,9% em 2021 e 5,1% em 2022.

A melhoria nos setores presenciais, como o turismo, depende da pandemia e é improvável que a recuperação ocorra antes de meados de 2022. No entanto, as perspetivas de crescimento melhoraram e, à medida que a vacinação avança em Portugal e na Europa, a economia deve também recuperar”, referiu.

Assim, a confirmação da perspetiva “estável” teve em conta o “choque abrupto” da Covid-19 na saúde e na economia, bem como as melhorias verificadas nos principais indicadores de classificação nos anos anteriores à crise.

Segundo a DBRS, um maior investimento e a diversificação das exportações de bens e serviços de maior qualidade apontam para “fortes perspetivas de crescimento a médio prazo”.

A DBRS sublinha que as contas orçamentais passaram de um pequeno excedente em 2019 para um grande défice em 2020.

A deterioração foi impulsionada por uma redução significativa nas receitas com a recessão económica e um aumento nas despesas para enfrentar a pandemia […]. Espera-se que o défice diminua para 4,5% do PIB em 2021 e para 2,2% até 2023”, adiantou.

No entanto, a agência também alertou para algumas vulnerabilidades, como uma dívida pública elevada, baixo potencial de crescimento económico e o ‘stress’ no sistema financeiro.

Em fevereiro, a DBRS já tinha mantido inalterado o ‘rating’ de Portugal.

Esta é a primeira agência de notação a emitir a segunda avaliação semestral da dívida portuguesa.