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A Nissan, que foi o primeiro construtor a apostar nos automóveis eléctricos (em 2010), ainda antes de surgir o primeiro modelo fabricado pela Tesla, manteve-se durante (demasiado) tempo dependente apenas do Leaf. Mas 11 anos depois, vai finalmente surgir com um segundo modelo a bateria, o SUV Ariya, a que seguirão rapidamente outros, mas durante a próxima década.

Este construtor japonês, que revelou agora a sua “corrida rumo a zero”, uma iniciativa ambiental apoiada pelas Nações Unidas para complementar a anteriormente anunciada neutralidade carbónica até 2050, compromete-se a comercializar apenas veículos eléctricos a partir do início da década que começa em 2030.

Este anúncio coloca a Nissan bem à frente de outros construtores nipónicos na electrificação, como a Honda ou a Toyota, mas fica atrás de promessas muito mais optimistas por parte de vários concorrentes alemães, franceses e ingleses, ou seja, aqueles que lideram o mercado europeu.

Por uma questão de estratégia e de imagem, parece ser moda os construtores de automóveis anunciarem quando pensam abandonar a comercialização de veículos com motores de combustão, sobretudo no mercado europeu. Todos avançam com as suas previsões em relação ao ano em que arrumarão de vez os modelos cujo motor – ou motor principal, uma vez que a decisão envolve igualmente os híbridos e híbridos plug-in – queima combustíveis fósseis.

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Este abandono dos motores que consomem derivados de petróleo, que foi combatido de forma por vezes feroz pela maioria dos fabricantes, ameaçando os políticos com prejuízos gigantescos (e empresas com perdas não pagam impostos sobre lucros) e despedimentos massivos, é hoje anunciado com pompa e circunstância, sendo mesmo antecipado face às previsões anteriores.

A explicação para este aparente “milagre” fica a dever-se ao facto de os dirigentes em Bruxelas terem restringido um pouco mais os limites das emissões, essencialmente porque a média das emissões de CO2 continua a não descer ao ritmo pretendido, mas sobretudo porque se tornou óbvio, mesmo para os construtores que mais atacaram a adopção de veículos eléctricos e a legislação que forçava a sua produção, que os veículos a bateria podem gerar mais lucros do que os seus concorrentes a combustão.