O candidato da Iniciativa Liberal (IL) à presidência da Câmara de Lisboa propõe baixar a derrama municipal para 0%, devolver 5% de IRS às famílias, e ainda “emagrecer” a autarquia, reduzindo avenças e empresas municipais.

Estas foram algumas das medidas esta segunda-feira enunciadas pelo candidato da IL, Bruno Horta Soares, na apresentação do seu programa eleitoral para as próximas eleições autárquicas, que decorreu na Alameda D. Afonso Henriques, junto a um dos cartazes do partido.

O candidato da IL destacou, na ocasião, as medidas de devolução de 5% de IRS e a “derrama zero para as empresas”, sustentando que são “300 milhões que ficam na economia e 120 milhões que ficam nos bolsos das famílias porque são as empresas e são as famílias que sabem o que querem fazer a esse dinheiro”.

Na ótica de Bruno Horta Soares, a Câmara Municipal de Lisboa, presidida por Fernando Medina (PS), “está gorda” e precisa de emagrecer.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Para isso, o liberal propõe um corte de 50% nas avenças de trabalhadores e “pessoas à volta da Câmara Municipal que não são funcionários públicos”, o que representa um corte de 20 milhões de euros.

“E depois vamos naturalmente limpar aquilo que, para nós, liberais, muitas vezes nos faz confusão: As empresas municipais”, salientou, acrescentando que este corte significa uma poupança de 35 milhões de euros.

O candidato da IL pretende também “multiplicar por cinco o investimento naquilo que se chama a ‘cidade inteligente'”. “Por uma simples razão: nós estamos fartos de decisões arbitrárias que são tomadas por quem está nos cargos temporariamente e sem base nenhuma factual”, justificou.

Relativamente aos funcionários públicos, Bruno Horta Soares disse que não defende o seu despedimento, mas ressalvou que não aceita “a responsabilidade de contratar mais 20% de funcionários” para a autarquia.

O candidato criticou ainda o município por ter um nível de investimento de cerca de 25 euros por trabalhador.

“Aquilo não é uma organização, é um amontoado de pessoas cujo interesse não tem nada a ver com a qualidade de serviço, não tem nada a ver com a parte interessadas a que se destinam”, defendeu.

No que diz respeito aos transportes, o liberal apontou o dedo às medidas do candidato Carlos Moedas (coligação PSD/CDS-PP/PPM/MPT/Aliança) de transportes públicos gratuitos para jovens e idosos, considerando que “não há almoços grátis” e que é preciso olhar para as pessoas individualmente e não para grupos.

Na área da habitação, também criticou os concursos de renda acessível, advogando que “é uma ofensa para os que todos os dias se levantam, trabalham, que se esforçam pelo seu trabalho”, quando “no final do dia há uma roleta” para “ver quem é que ganha uma casa”.

No urbanismo, Bruno Horta Soares propõe garantir que os licenciamentos sejam realizados em 30 dias, como estabelece a lei.

A sessão de apresentação do programa eleitoral contou, igualmente, com declarações do cabeça de lista à Assembleia Municipal de Lisboa, Miguel Ferreira da Silva, e da mandatária da candidatura, Carla Castro.

Miguel Ferreira da Silva apontou que os lisboetas “estão há demasiado tempo sem Câmara Municipal de Lisboa”, defendendo que a autarquia “é um super ministério” e que a assembleia municipal “é uma vergonha na fiscalização” do executivo.

Por seu turno, Carla Castro realçou que o poder local deve servir os cidadãos e “não as clientelas”, criticou o número “obsceno de trabalhadores” camarários e defendeu que o programa da IL “não é uma mão cheia nada”, numa crítica implícita aos adversários.

Além de Bruno Horta Soares, concorrem à Câmara de Lisboa Fernando Medina (coligação PS/Livre), Carlos Moedas (coligação PSD/CDS-PP/PPM/MPT/Aliança), Beatriz Gomes Dias (BE), João Ferreira (PCP), Nuno Graciano (Chega), Tiago Matos Gomes (Volt), Manuela Gonzaga (PAN), João Patrocínio (Ergue-te), Bruno Fialho (PDR), Sofia Afonso Ferreira (Nós, Cidadãos!) e Ossanda Líber (movimento Somos Todos Lisboa).

O executivo de Lisboa é composto por oito eleitos pelo PS (incluindo dos ‘Cidadãos por Lisboa’ e do ‘Lisboa é Muita Gente’), um do BE, quatro do CDS-PP, dois do PSD e dois da CDU.

As eleições estão marcadas para 26 de setembro.