O resultado não foi o melhor, principalmente se for tido em conta que o Benfica dominou a partida quase por inteiro, mas a verdade é que a equipa de Jorge Jesus atingiu um registo histórico: com o empate a zeros contra o Dínamo Kiev, os encarnados alcançaram três jogos seguidos sem sofrer golos fora de casa nas competições europeias, somando a vitória na Rússia com o Spartak Moscovo e o empate nos Países Baixos com o PSV.

Rafa, o mártir que olhou com horror para o que poderia ter acontecido (a crónica do Dínamo Kiev-Benfica)

Ao fim de três participações consecutivas na Liga dos Campeões em que o Benfica perdeu sempre o primeiro jogo — e sempre no Estádio da Luz –, os encarnados conseguiram quebrar o enguiço, sendo que nas últimas sete temporadas em que estiveram na liga milionária só ganharam a partida de estreia numa ocasião, contra o Astana, em 2015/16. Com este resultado, a equipa de Jorge Jesus também terminou uma série de 11 encontros consecutivos sempre a sofrer golos fora de casa na Liga dos Campeões: curiosamente, a última vez que havia mantido a baliza inviolada tinha sido precisamente contra o Dínamo Kiev e na Ucrânia, em 2016.

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De forma mais geral, o Benfica chegou invicto ao fim dos primeiros 10 jogos da temporada, algo que não acontecia desde 2011/12, quando Jorge Jesus também era o treinador encarnado. Com apenas três golos sofridos entre Liga dos Campeões e Primeira Liga, o registo defensivo da equipa é mesmo o melhor desde 1999/00, há mais de duas décadas — sendo que na época passada, nesta altura, já havia sofrido 13. Depois do apito final em Kiev, na flash interview da Eleven Sports, Jorge Jesus defendeu que o Benfica fez “um grande jogo”.

“Depois do jogo é fácil ter opiniões que têm pouco a ver com o jogo e mais com o resultado. O Benfica fez um grande jogo onde não concretizou toda a sua qualidade de jogo. Não foi falta de eficácia, não criámos foi grandes ocasiões. Criámos uma clara, do Roman [Yaremchuk], na segunda parte. O jogo, todo ele, foi comandado pelo Benfica mas faltou na zona da decisão criar lances. Ganhámos um ponto, estamos na Champions, não estamos no Campeonato do… Para não dizer outra coisa. Ganhámos um ponto”, começou por dizer o treinador dos encarnados.

Mais à frente, comparando a forma como Benfica e Dínamo Kiev se apresentaram na partida, Jesus explicou que “cada equipa tem o seu valor e é diferenciada”. “Esta equipa do Dínamo Kiev vai criar problemas a qualquer adversário aqui. Se fizerem marcha-atrás aos resultados, só Juventus e Barcelona é que ganharam aqui nos últimos anos. Fizemos um grande jogo, faltaram oportunidades para fazer golo mas nos dois últimos minutos estivemos à beira de perder. O futebol é isto. Foi mais um jogo em que a equipa não perde e sai moralizada pela qualidade de jogo. Quando estamos numa prova como esta, o importante é ganhar mas também não perder”, acrescentou, deixando depois uma explicação para os três minutos de descontos em que o Benfica sofreu um golo, embora anulado pelo VAR, e viu Vlachodimos fazer duas grandes defesas.

“O futebol é uma modalidade em que nem sempre quem comanda ganha. Foi o caso do Benfica. Em dois minutos esteve quase a perder e isso acontece porque são situações de futebol. A bola que bate no poste é uma finalização de fora da área, não há muito mais a fazer. E depois a segunda bola dá aquela confusão toda. No futebol nunca sabes sempre se estás a controlar. Hoje foi a prova disso. Mas se alguém tinha de sair vencedor era o Benfica”, atirou, defendendo depois que a equipa está “muito forte a defender”. “Acredito que podemos manter esta solidez. Não é só o não sofrer, é o adversário não ter tido ocasiões, tirando aqueles dois minutos. Isso diz que a equipa defende bem. Às vezes não se sofre mas houve sorte ou o guarda-redes faz grandes defesas… Não é isso que tem acontecido com o Benfica. Isso dá-nos uma confiança muito grande”, terminou Jesus.