Messi, Neymar, Mbappé, Donnarumma, Sergio Ramos, Wijnaldum… Falar do plantel do PSG é, desde há aproximadamente uma década, falar de um dos mais talentosos e ricos (em todas as vertentes) conjuntos de jogadores do futebol mundial. Primeiro com Zlatan Ibrahimovic, depois com Neymar, entretanto com as chegadas de Mbappé e, é claro, além dos demais, o ingresso de Messi nos parisienses. Sendo tudo isto inegável, também o é que um dos principais ídolos da massa adepta da equipa da Cidade Luz é um português: Pauleta. O português foi inclusivamente eleito o melhor avançado da história do clube pelos leitores da France Football, em 2016, numa altura em que já tinham passado pelo clube jogadores como Cavani ou Ibrahimovic.

Pauleta esteve cinco anos no PSG, entre 2003 e 2008, apontando 109 golos em 213 partidas, mantendo desde sempre uma boa e próxima relação com a massa associativa. Em declarações à ESPN brasileira, o português diz que o clube, mesmo a nível de futebol jogado, está bem diferente da sua altura e que, a menos que o treinador (atualmente o argentino Mauricio Pochettino) quisesse “recuar” no terreno Neymar, Messi ou Mbappé, talvez ele tivesse lugar num possível onze inicial, onde faria certamente golos. Assim não sendo, diz que o único jogador que poderia intrometer-se na luta por um lugar neste tridente atacante seria outro português: Cristiano Ronaldo.

“Faria seguramente mais golos (se jogasse com Neymar, Mbappé e Messi), de certeza absoluta. Dependeria do treinador, se quisesse recuar um deles e ter espaço para mim. Agora, se o treinador não quisesse recuar ninguém, eu teria de ficar no banco. Hoje em dia, no mundo do futebol, nenhum jogador conseguiria entrar nessas três posições com esses três jogadores. Tens o (Cristiano) Ronaldo e acho que mais ninguém”, disse entre muitos risos, segundo a ESPN.

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Pauleta, que durante algum tempo foi o melhor marcador da Seleção Nacional com 47 golos, diz que adora Lewandowski, que o considera um “fenómeno” mas que “não entraria nesse tridente” de ataque. “São três jogadores com idades diferentes. Mbappé, que é jovem e seguramente será o melhor do mundo no futuro, Neymar, que é um fenómeno, e o Messi, que é um extraterrestre. Portanto, dificilmente alguém entraria nessas três posições”, disse ainda. O português deixou o clube antes das profundas mudanças que ocorreram no PSG e fizeram o clube saltar para a ribalta do futebol mundial. Mais concretamente, a chegada do dinheiro do Qatar e da liderança de Nasser Al-Khelaïfi.

“O Paris Saint-Germain foi um clube grande em França e na Europa em certas alturas. Depois de o Canal+ ter saído do clube, várias empresas compraram o PSG. Eu passei por quatro ou cinco presidentes, algo que não é comum. Eram ex-presidente do Lille, outro do Rennes, em França há muito esse costume. Para vocês no Brasil e em Portugal é impensável, porque o presidente é adepto do clube. Sabíamos que o clube tinha um potencial enorme para crescer, independentemente do presidente Nasser com o Qatar. A cidade de Paris tem dez milhões de habitantes, em Portugal tem dez milhões. Mas desde que chegaram as pessoas do Qatar isso deu uma dimensão diferente do clube”, admitiu.

A dada altura da entrevista, Pauleta passou às “obrigações”, não só dos jogadores, como do clube, dado a força do seu plantel. O português dá o seu próprio exemplo para explicar: “Até há pouco tempo eu era o melhor marcador da história do PSG e da Seleção Nacional, onde tinha ao meu lado Ronaldo, Figo, Rui Costa ou Deco. Eu era o avançado de referência e, por ter esses jogadores à minha volta, era normal que fizesse mais golos. Na minha época, o PSG não criava tantas chances de golo e acredito que nos últimos anos o avançado que joga no PSG tem obrigação de fazer muitos golos porque são criadas muitas ocasiões”, frisou, acrescentando ainda que, depois de os parisienses terem perdido o campeonato da época passada para o Lille, estes têm “mais obrigação de ganhar tudo em França”.

“Na Champions o clube tem essa ambição enorme e tem-se preparado e reforçado com o passar dos anos [para ganhar a competição]. É o grande objetivo dos donos e dos adeptos. Quando contratas estes jogadores é mais uma demonstração de que o PSG quer vencer a Liga dos Campeões. Não é ter mais pressão, mas é realidade. Não há como não pensar, com um plantel destes, que é possível e fazer de tudo para vencer. Às vezes não basta só ter nomes para vencer títulos”, rematou o antigo ‘9’.

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No próximo mês de outubro completa-se uma década desde que Nasser Al-Khelaïfi tomou conta do clube com o objetivo de o fazer crescer, não só em França, como a nível internacional. Não é segredo que a grande prioridade dos últimos anos no PSG foi a Liga dos Campeões e caso deixasse de ser, provavelmente o investimento em craques da mais alta roda do futebol mundial não fosse tão forte como continua a ser. Talvez “bastasse” Messi, dada a matéria-prima presente no Parque dos Príncipes, mas, não satisfeitos, os responsáveis conseguiram ainda jogadores como Donnarumma, melhor jogador e vencedor do Euro 2020, ou Wijnaldum, motor box to box do Liverpool de Klopp, com o qual venceu uma Liga dos Campeões e uma Premier League.

Há dois anos, no Estádio da Luz, o PSG perdeu a final da Champions frente ao Bayern Munique e, na época passada, ficou-se pelas meias-finais frente ao Manchester City. Esta quarta-feira começa mais uma demanda pela maior competição de clubes do planeta, na Bélgica frente ao Club Brugge, e é bem possível que se fale português de Portugal na equipa parisiense. Danilo alinhou os 90′ do último encontro da equipa (4-0) ao Clermont e pode sempre ser opção para Pochettino, mas o destaque maior vai para miúdo Nuno Mendes, acabado de chegar do Sporting e que já jogou cinco minutos nesse encontro para a Ligue 1. Em princípio, durante a época, o português tem em Bernat a maior ameaça pelo lugar de lateral esquerdo mas, com o espanhol lesionado, o jogador de 19 anos já demonstrou futebol suficiente para conquistar minutos, talvez o lugar e, quem sabe estrear-se desde já na Liga dos Campeões.

Não será a estreia em competições europeias porque Rúben Amorim apostou em Nuno Mendes logo desde o início da temporada passada e portanto o jogador alinhou nos jogos de qualificação para a fase de grupos da Liga Europa, tendo realizado 90 minutos em ambos: na vitória por 1-0 frente ao Aberdeen e na derrota, em Alvalade, por 4-1, frente ao Lask Linz. Depois de Fernando Cruz, Humberto Coelho, Kenedy, Pauleta, Hélder, Hugo Leal, Filipe Teixeira e Danilo, há mais um português a tentar fazer história no PSG.

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