O candidato do PPM à Câmara Municipal do Porto, Diogo Araújo Dantas, disse esta terça-feira querer afetar 5% do orçamento municipal à cultura, que tem tido uma “política arbitrária” na cidade, e propõe a criação do “exilado cultural”.

Em declarações à Lusa, à margem de uma visita ao Teatro Rivoli, adiantou esta terça-feira que quer “colocar 5% do orçamento para a cultura”, uma dotação que considera ir “ao encontro de muitos dos problemas que a cultura tem”.

Entre as medidas que essa verba serviria inclui-se a criação da “figura do exilado cultural”.

O candidato do Partido Popular Monárquico esclarece que este conceito se dirige àqueles que “têm dificuldade, por causa da liberdade nos respetivos países, em exercer culturalmente e artisticamente a sua arte”, garantindo apoio à estadia e ao desenvolvimento de projetos culturais.

Quer também criar “um plano global que seja feito por todas as associações culturais — que estão ao abandono — todas as entidades que trabalham e que têm sido colocadas de lado”, para “não centrar em um ou dois eventos que sejam espetaculares para o Porto, mas fazer do Porto uma cidade cultural”.

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“O Porto pode ser um centro de inovação cultural mundial com estas medidas tão simples e que podem fazer exponenciar uma revolução cultural que parta daqui”, defende o monárquico.

Até aqui, considera, “a política cultural do Porto, de uma forma muito básica, tem sido arbitrária e sem sentido — sem uma linha reta, sem um plano, sem um caminho. Tem ido por atalhos só para procurar grandes eventos”.

Para Diogo Araújo Dantas, “os últimos anos foram assolados por um ‘novo-riquismo’ que o deitou abaixo”, dando o exemplo do Museu Romântico, em que diz que se destruiu, “de uma forma gratuita, um património que era dos portuenses, que era de todos nós e que toda a gente conhecia tão bem”.

Depois da polémica devido à instalação de uma exposição com o Herbário de Júlio Dinis naquele espaço, Rui Moreira pediu desculpa pela forma como a situação foi comunicada e garantiu, a 06 de setembro, que “nada do património que lá está foi perdido”.

Araújo Dantas considera que esse episódio vem “ao encontro de uma ideologia que tenta reescrever a história, que tenta destruir a história”.

“O que o PPM quer e defende é exatamente o contrário, é que encontremos o nosso espaço na história, que não vivamos no passado, que não estejamos sempre em torno das nossas glórias passadas, mas que encontremos a nossa alma e a nossa forma de ser, estar, agir, sentir, através daquilo que foi feito no passado”.

No Porto foram também apresentadas as candidaturas de Ilda Figueiredo (CDU), Vladimiro Feliz (PSD), Sérgio Aires (BE), André Eira (Volt Portugal), Bebiana Cunha (PAN), Tiago Barbosa Rodrigues (PS), António Fonseca (Chega), Bruno Rebelo (Ergue-te), Diamantino Raposinho (Livre) e do independente Rui Moreira.

A Câmara do Porto é liderada por Rui Moreira, cujo movimento elegeu sete mandatos nas autárquicas de 2017, aos quais se somam quatro eleitos do PS, um do PSD e um da CDU.

As eleições autárquicas estão marcadas para 26 de setembro.