É uma “mentira” sem qualquer “fundamento”. Depois de terem começado a circular rumores de que um dos principais líderes dos talibãs, o mullah Abdul Ghani Baradar, teria morrido num tiroteio na sequência de divisões internas, um dos porta-vozes do grupo radical islâmico veio esta segunda-feira desmenti-los.

Numa publicação no Twitter, Suhail Shaheen esclareceu que o mullah (designação que define um guardião da teologia islâmica, habitualmente líder dos movimentos mais fundamentalistas) Abdul Ghani Baradar, que foi nomeado vice-primeiro-ministro do Emirado Islâmico do Afeganistão, lhe enviou uma “mensagem de voz a negar todas as informações de que teria ficado ferido ou sido morto num confronto”. “Ele diz que é mentira e totalmente sem fundamento”, remata ainda o porta-voz dos talibãs para os meios de comunicação internacionais.

Abdul Ghani Baradar, cofundador e número dois do grupo radical islâmico talibã, regressou ao Afeganistão, dois dias depois de o movimento assumir o poder. Até então, o agora vice-primeiro ministro encontrava-se no Qatar, onde liderava o gabinete político da organização. Foi a primeira vez que um líder ativo dos talibãs regressou publicamente ao Afeganistão desde que o grupo foi destituído do poder, em 2001.

Os rumores da sua morte surgiram na sequência de informações que, segundo a Reuters, davam conta de possíveis confrontos entre apoiantes de Abdul Ghani Baradar e Sirajuddin Haqqani, ministro do interior, procurado pelo FBI e o chefe de um dos grupos mais temidos no Afeganistão: a rede Haqqani, que se associou aos talibãs quando o grupo islâmico chegou ao poder em 1996. No entanto, os talibãs afastam quaisquer divisões internas, bem como a morte do vice-primeiro ministro.

Quem é quem no novo governo interino talibã do Afeganistão?

Abdul Ghani Baradar, nascido na província de Uruzgan, no sul do país, foi criado em Kandahar e tornou-se cofundador dos talibãs em parceria com o mullah Omar, que morreu em 2013, mas cuja morte foi escondida durante dois anos. Em 2001, após a intervenção norte-americana e a queda do regime talibã, Abdul Ghani Baradar terá feito parte de um pequeno grupo de insurgentes que defendiam um acordo para assumirem a administração de Cabul, mas a iniciativa fracassou.

Foi detido em 2010 enquanto líder militar dos talibãs, em Carachi, no Paquistão, sendo libertado em 2018, por pressão de Washington. Ouvido e respeitado pelas várias fações dos talibãs, foi então nomeado líder do gabinete político do grupo, localizado no Qatar, e passou a dirigir as negociações com os norte-americanos que levaram à retirada das forças estrangeiras do Afeganistão. Liderou também as negociações de paz com o Governo afegão, que não levaram a qualquer acordo. Agora, é vice-primeiro-minisro do Emirado Islâmico do Afeganistão.

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