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“Mandíbulas”

À falta de uma boa comédia “nonsense” inglesa, temos riso absurdo à francesa em “Mandíbulas”, de Quentin Dupieux, o homem que nos deu “Rubber — Pneu”, sobre um pneu “serial killer”. Manu e Jean-Gab, dois pequenos delinquentes falhados e estúpidos como portas onduladas, descobrem uma mosca gigante no porta-bagagens de um carro que roubaram. Em vez de ficarem espantados ou aterrorizados, e como são os reis dos calões, decidem treinar o bicho para que lhes traga comida e dinheiro. Só que há que ocultar o avantajado inseto das outras pessoas, o que não é fácil. “Mandíbulas” resulta porque, do princípio ao fim, Dupieux filma as disparatadíssimas peripécias do imbecil e bedungoso duo e da mosca taludona com o ar mais sério deste mundo, como se estivesse a fazer uma fita do mais rigoroso realismo social.

“Paraíso”

Regressado ao Brasil onde nasceu e onde não ia há mais de 40 anos, e ao documentário após a longa-metragem de ficção “Raiva” (2018), Sérgio Tréfaut registou aqui para a posteridade os idosos que, antes da pandemia, se juntavam todas as tardes nos jardins do Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, para conviverem e cantarem velhas e clássicas canções de amor. A maior parte acabaria por morrer de Covid após as filmagens deste comovente “Paraíso”, que é um documento sobre o que de precioso e irrecuperável a pandemia levou. Só gostávamos que o filme nos dissesse mais sobre o passado e sobre as vidas destes homens e mulheres, cujas vozes nunca mais se voltarão a ouvir nos jardins da antiga sede do governo brasileiro, mas ficaram eternizados nestas imagens e são identificados um a um no final.

“Cry Macho — A Redenção”

Clint Eastwood realiza “Cry Macho — A Redenção” e interpreta Mike Milo, um velho “cowboy” texano que foi outrora uma vedeta dos “rodeos”, até sofrer um grave acidente e ficar incapacitado de voltar ao circuito. Meteu-se na bebida, perdeu a mulher e o filho num desastre de automóvel e quem o salvou foi o patrão, Howard Polk, que lhe deu um emprego como tratador de cavalos, até o dispensar devido à idade. Um dia, Howard pede a Mike um favor, em nome de tudo o que fez por ele: ir ao México buscar o filho, Rafael (Eduardo Minett), que vive com a mãe, uma mulher rica e de vida desregrada, que não liga ao rapaz, deixa que o amante lhe bata e deixa-o andar a roubar e metido em lutas de galos. “Cry Macho — A Redenção” foi escolhido como filme da semana pelo Observador e pode ler a crítica aqui.

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