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Os potenciais riscos associados às vacinas, a falta de confiança nos produtos desenvolvidos e nas entidades que os promovem são as principais causas apontadas pelos norte-americanos inquiridos para não serem vacinados, segundo um relatório divulgado esta terça-feira.

No total, são 74% das 1.205 pessoas que ainda não foram (nem pretendem ser) vacinadas, segundo o levantamento do consórcio dedicado a estudar as preferências, nos vários estados norte-americanos, em termos de políticas de combate à Covid-19. As pessoas que não pretendem ser vacinadas representam 18% das 16.996 que participaram no estudo entre 9 de junho e 6 de julho deste ano.

Os relatos, ainda que extremamente raros, de coágulos sanguíneos e problemas cardíacos são alguns dos motivos apontados pelos 35% que se preocupam com os riscos associados à vacinação. Enquanto 24% referiu motivos mais relacionados com o facto de a vacina ter sido desenvolvida demasiado depressa para se saber se era segura.

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Facto é que, depois deste levantamento, o regulador norte-americano (FDA) deu aprovação total à vacina da Pfizer, o que só acontece quando a segurança e eficácia estão plenamente confirmadas.

Falta de confiança nas organizações do Estado

As múltiplas estratégias para convencer as pessoas a vacinarem-se, quer usando figuras públicas, quer oferecendo dinheiro ou outros benefícios, não parecem resultar com as pessoas que rejeitam ser vacinadas. Muitas referem não confiar no governo e em outras instituições (15%), outras dizem não precisarem de tomar a vacina porque são saudáveis e a doença não é assim tão perigosa (12%).

Não farei algo que o governo tem pressionado tanto e de maneiras tão ridículas (usando celebridades, incentivos financeiros)”, disse um dos participantes.

O facto de os especialistas exporem as incertezas e admitirem ter estado errados nas tomadas de decisão, que deveria ser visto como transparência e um processo natural do desenvolvimento científico, não gera confiança em todas as pessoas.

“Aconteceu tantas vezes ouvirmos os CDC [Centros para o Controlo e Prevenção da Doença], a OMS [Organização Mundial de Saúde], o [Anthony] Fauci dizer: ‘estávamos errados’ e depois ajustarem ou alterarem as orientações”, disse um dos participantes.

Anthony Fauci, provavelmente o especialista norte-americano que mais vezes apareceu nos media, conselheiro de Donald Trump (e, agora, de Joe Biden), não reúne tanta confiança como seria de esperar — apenas 66% dos inquiridos, que relevam confiar sobretudo nos médicos e hospitais (92%) e nos cientistas (86%). Ainda assim, Fauci fica à frente da Casa Branca (63%), jornalistas (45%) e redes sociais (33%).

A ordenação das entidades confiáveis é semelhante entre quem foi vacinado e quem não foi, mas os níveis de confiança são consideravelmente superiores para quem escolheu ser vacinado.

Dificuldades logísticas impedem pessoas de se vacinarem

O levantamento, feito pelo consórcio que inclui as universidade de Northeastern, Harvard, Rutgers, and e Northwestern, identificou não só 18% de pessoas que não quer ser vacinada como 67% de pessoas vacinas e 15% de pessoas que ainda não estão, mas gostavam.

No grupo dos que mostraram interesse em ser vacinados, as questões logísticas ou associadas aos custos têm um peso importante, muito mais do que para os que não se querem vacinar — 37% contra 17%, respetivamente.

A impossibilidade de tirar tempo no trabalho para se ir vacinar ou caso tenha de ficar em casa devido aos efeitos secundários da vacina, assim como os custos associados e a dificuldade de deslocação aos centros de vacinação são os motivos mais frequentes para ainda não terem tomado a vacina.

As preocupações com a segurança e eficácia das vacinas estão relacionadas com a falta de confiança nas mensagens vindas do governo, das autoridades de saúde e dos media tradicionais”, disse a coordenadora do estudo Katherine Ognyanova, professora na Faculdade de Comunicação e Informação na Universidade de Rutger. “A falta de confiança é um desafio mais importante neste momento do que os problemas logísticos que as pessoas enfrentam.”

Cerca de 90% das pessoas que ainda não tomaram a vacina admitem preocupar-se com os efeitos secundários das vacinas. Além disso, um terço dos resistentes (33%) e um quarto dos que têm vontade (26%) receiam que a vacina lhes provoque Covid-19.