Obrigado por ser nosso assinante. Pode ler este e todos os artigos do Observador em qualquer dispositivo.

Ela tem 19 anos, ele tem 21. Cresceram juntos em Mortlake, no sul de Londres, e para além das claras parecenças físicas que vão desde o cabelo aloirado ao sorriso tímido têm algo que os une — Lauren e Reece, irmãos, são ambos jogadores profissionais de futebol. Mais: Lauren e Reece, irmãos, são ambos jogadores profissionais de futebol no Chelsea. Num país onde mais de metade das crianças querem jogar à bola, uma única família conseguiu ter dois de três filhos a realizar os sonhos nos maiores relvados do mundo.

“Costumávamos jogar nas traseiras. Fazíamos grande jogos com os nossos amigos e até fazíamos carrinhos loucos que eram muito divertidos na altura. Com os dois pés! Eram muito perigosos. Só os fazíamos para nos irritarmos uns aos outros. Acho que na altura, com o grupo de amigos que tínhamos, jogávamos melhor quando estávamos um bocadinho irritados. Por isso só o fazíamos para deixar os outros enervados”, recorda Lauren James numa entrevista ao The Telegraph, em conjunto com o irmão Reece James, lateral direito do Chelsea de Thomas Tuchel.

Manchester United Women v West Ham United Women - Barclays FA Women's Super League

Formada no Chelsea, a avançada de 19 anos jogou no Manchester United durante três anos antes de voltar ao clube de Londres

Ele, formado nos blues, só deixou o clube para cumprir uma curta temporada de empréstimo no Wigan, em 2018/19. Ela, que também começou a formação no Chelsea, precisou de andar mais para regressar à casa de partida: foi para o Arsenal aos 13 anos, onde acabou por se estrear na equipa principal aos 16, e entre 2018 e o final da época passada representou o Manchester United. Este verão, assinou pelos londrinos — e Reece garante que não teve qualquer influência no processo.

“Ela sabia que um dia iria querer voltar porque é a nossa casa. O timing foi certo. Assim é muito melhor! Quando ela estava no Manchester United era difícil, praticamente não nos víamos. Agora está no Chelsea… E o equipamento azul é muito melhor! Estamos ambos em Cobham [o centro de treinos do clube] mas ainda é muito difícil interagir, por causa das bolhas de segurança e dos protocolos, mas quando o mundo voltar ao normal vamos ver-nos muito mais”, explicou o lateral.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Claramente próximos, Lauren e Reece contam que se apaixonaram pelo futebol graças ao pai, um antigo defesa do Aldershot Town que chegou a treinar com o Southampton mas acabou por ver a vida de jogador ser surpreendida por uma lesão, acabando por decidir tornar-se treinador. “Ele treinava-nos a toda a hora. Toques e ‘voltas ao mundo’. Era difícil. Éramos três e todos queríamos ganhar! Todos queríamos jogar futebol e crescemos a adorar o desporto e concentrados para tentar chegar ao topo. O nosso irmão já não joga mas ajudou-nos muito. Era sempre muito competitivo. A Lauren era quatro anos mais nova do que o nosso irmão e dois anos mais nova do que eu mas queria sempre ganhar”, recorda Reece, acrescentando que o irmão Joshua esteve na formação do Fulham e do Reading antes de deixar os relvados.

Lauren James esteve no Estádio do Dragão na última final da Liga dos Campeões, quando Reece James se tornou campeão europeu com o Chelsea, mas apesar de estar presente nos dias importantes do irmão admite que gosta de lhe dar espaço quando as coisas correm menos bem. “Deixamo-nos sempre em paz. Sabemos que estamos lá um para o outro, que podemos pedir ajuda se precisarmos. Mas, se algum dia não for bom, acabamos por deixar o outro sozinho. Quando ele foi expulso contra o Liverpool [em agosto], por exemplo, não falei com ele sobre isso. Não foi preciso”, diz a avançada.

Se ele já é internacional por Inglaterra e até esteve no Euro 2020, ela já foi convocada para a seleção no passado mês de novembro mas acabou por não conseguir estrear-se devido a uma lesão. Se voltar a ser chamada e fizer a primeira internacionalização, os dois tornam-se os primeiros irmão e irmã a representar Inglaterra ao mais alto nível. Para Reece, porém, não é uma questão de “se” — é uma questão de “quando”. “Ela pode atingir tudo o que quiser atingir. Acho mesmo que não existem muitas jogadoras que sejam melhores do que ela. Só precisa de continuar a trabalhar muito para ficar bem fisicamente e quando começar a jogar e recuperar a forma pode fazer o que quiser. Acho que ninguém a pode parar. Ainda há muito por vir. Ela tem tempo e com esse tempo vai mostrar a muitas pessoas que pode ser de classe mundial”, diz o jogador do Chelsea.