O secretário-geral do PCP visitou este sábado o Centro de Experimentação Artística do Vale da Amoreira, concelho de Moita, para demonstrar que o investimento na cultura salvou a freguesia de estar condenada a ser um “anátema” de instabilidade.

Jerónimo de Sousa fez uma visita de pouco mais de uma hora a este equipamento cultural, desenvolvido para os que querem criar e, sobretudo, experimentar arte.

De acordo com Sofia Figueiredo, responsável pela programação deste centro, aqui há artistas de todas as idades, mas a juventude é a principal fatia do bolo. Durante a visita até houve tempo para um fist bump de Jerónimo a todos os elementos de um grupo de dança que preparava um espetáculo para o próximo sábado.

“Estão todos convidados”, disse uma das artistas ao secretário-geral, que sorriu perante o convite, mas não confirmou a presença.

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Para o dirigente comunista, este equipamento artístico é o exemplo de como a cultura é essencial e consegue até alterar preconceitos: “Que bom que é que o Vale da Amoreira seja hoje [este sábado] reconhecido por boas razões e não como um anátema permanente de criar a ideia de destabilização e de insegurança social”.

Esta não foi “uma iniciativa para criticar” o Governo, explicou Jerónimo de Sousa, mas para um “relevar um caminho, uma experiência, que deveria ser encetado em bairros como este”.

O autarca da Moita e recandidato ao cargo pela CDU, Rui Garcia, explicou que este equipamento é “aberto ao público” e considerou que dá um “contributo fundamental para a integração social, para a capacitação, para a própria emancipação de muitos dos jovens que aqui iniciam os seus projetos” e que até já têm carreiras artísticas.

Contudo, mais não é feito porque o acesso a fundos comunitários é bloqueado por decisões governamentais de outrora.

Rui Garcia sustentou que como a Moita está integrada “no programa operacional de Lisboa e Lisboa estatisticamente ser uma região rica da Europa o acesso a fundos comunitários está limitado, quer em montantes, quer em taxas de cofinanciamento”.

A realidade, prosseguiu, “não é aquilo que a estatística mostra”, já que boa parte dos territórios da Área Metropolitana de Lisboa, nomeadamente os concelhos da Península de Setúbal, “são territórios que têm níveis de desenvolvimento, naquilo que diz respeito ao critério de atribuição dos fundos europeus que PIB per capita têm níveis idênticos a outras regiões do país”, como a Área Metropolitana do Porto, mas tem “acesso a fundos em percentagem muito inferior a esses territórios”.

O Centro de Intervenção Artística do Vale da Amoreira foi inaugurado em 25 de abril de 2013 e resulta da Iniciativa Bairros Críticos. Foi financiado pela Islândia, Liechtenstein e Noruega, através do Mecanismo Europeu do Espaço Económico Europeu (EEE).