Era uma questão de 20 metros, talvez 30. Depois da boa saída de David Gaudu entre o grupo de pouco mais de dez corredores que conseguiu sair na frente das subidas reservadas nesta última etapa da Volta ao Luxemburgo, João Almeida percebeu que ninguém estava a responder ao ataque do francês, saltou para a frente e por muito pouco não conseguiu fechar o triunfo final com o primeiro lugar na tirada. Já não deu tempo mas nem por isso o português perdeu o sorriso, ganhando a geral com ainda maior distância.

O francês da Groupama teve o mérito de conseguir antecipar a saída sem que a Deceuninck Quick-Step tivesse alguém que fechasse nessa fase para lançar depois o português mas a festa foi repartida, com João Almeida a beber duas pequenas garrafas de água no final entre uma selfie com pequeno adepto e essa oferta que veio do grupo de portugueses que estava a filmar os primeiros momentos como vencedor da Volta ao Luxemburgo, a bandeira de Portugal. O objetivo estava cumprido, com o corredor de A-dos-Francos a cumprimentar com abraços os companheiros que iam chegando, entre Masnada e Cattaneo, numa festa que se iria prolongar depois no pódio já com ajuda de garrafas de champanhe para comemorar o feito.

Mais um segundo lugar num final perfeito: João Almeida é o primeiro português a conquistar a Volta ao Luxemburgo

“Estava a ter boas sensações desde o início mas não consegui responder a tudo no final. Não sou nenhum super herói mas mesmo assim consegui reduzir as distâncias, estive quase a chegar lá [à vitória] mas no final estou muito satisfeito com tudo, com uma equipa que esteve fantástica. Esteve sempre comigo até à última subida, sabia que estava com boas pernas, tentei algo mais mas os outros também são fortes e foi um final muito bom de corrida”, comentou João Almeida no final da corrida, na zona de entrevistas rápidas, falando sempre em inglês com todos os membros da imprensa presentes nesse espaço.

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“Desde o primeiro dia que tenho estado a tentar desenvolver-me como atleta, a tentar ser cada vez melhor, e claro que ter mais vitórias aumenta a minha confiança em mim. É muito bom para o futuro, para tentar continuar a melhorar a cada corrida”, acrescentou, antes de subir ao palco e, além da festa coletiva, receber a camisola amarela da geral, a camisola branca da juventude e a camisola verde dos pontos, entre as flores que foi recebendo e oferecendo aos adeptos que se encontravam perto do palco e os troféus que ia guardando para juntar a uma coleção de prémios que começa a ser cada vez maior aos 23 anos.

“Agora vamos ver o que acontece nos Mundiais. É uma corrida de um dia, uma corrida onde tudo pode acontecer num percurso complicado. Agora preciso de algum descanso depois da Volta ao Luxemburgo mas penso que posso chegar bem. Não é uma prova que tenha sido 100% feita para mim mas tenho a certeza que estarei na luta e a dar o máximo por Portugal”, concluiu Almeida sobre os próximos objetivos, apontando à prova de estrada do Campeonato do Mundo que se realiza no próximo domingo, dia 26.