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No início dessa semana, o The Guardian tinha feito um artigo onde destacava o entusiasmo dos adeptos do Wolverhampton pelas primeiras duas exibições da equipa diante de Leicester e Tottenham, ambas com um final menos desejado (derrota por 1-0) mas mostrando que “havia sinais de progresso para qualquer um que visse com atenção”. Mais: falava-se mesmo de “Bruno ball”. Na semana seguinte, após mais um desaire frente ao Manchester United pela margem mínima naquela que terá sido a melhor exibição das três, os números davam outro ângulo: desde 2003 que o Wolves não começava tão mal a competição.

Os adversários não eram os ideais para um início de aventura, tendo em conta o objetivo de chegaram a um dos quatro lugares de acesso à Liga dos Campeões (no mínimo, no caso dos red devils). O jogo estava lá, o trabalho via-se pela qualidade da equipa com e sem bola, os golos não apareciam e em pequenos detalhes a derrota chegava. Uma, duas, três. Depois da paragem para as seleções, Bruno Lage começava uma espécie de segundo início de época e a vitória fora com o Watford, com dois golos de Sierralta (na própria baliza) e Hwang Hee-chan na parte final da partida a carimbar os primeiros três pontos na Premier League.

Estava superado o primeiro “obstáculo” para uma das equipas que melhor joga em Inglaterra neste início de temporada mas que tropeçava na falta de eficácia na finalização para não materializar em pontos o que fazia de bem. Seria uma questão tática? Para o português, esse era a menor das questões. “Quando estava no Benfica jogava em 4x4x2, quando estava nos Sub-19 e no Dubai jogava em 4x3x3, aqui jogamos com o 3x4x3. Para mim, o mais importante são os princípios que quero para a equipa e todos os dias lhe digo que somos uma equipa ofensiva. 90% do nosso trabalho é ofensivo. O sistema é importante mas as dinâmicas é aquilo que mais interessa. Não interessa a tática, interessa o comportamento”, explicou.

Foi assente nessa ideia que Bruno Lage voltou a apostar naquele que tem sido o onze tipo desde o início da época na receção ao Brentford: Kilman (que mesmo canhoto joga à direita), Conor Coady e Saïss na defesa; Nelson Semedo e Marçal a fazer os corredores laterais, com Rúben Neves e João Moutinho no meio-campo; Trincão e Adama Traoré no apoio direto a Raúl Jiménez. No entanto, e ao contrário do que acontecera antes, as coisas não funcionaram com o Brentford a marcar dois golos em menos de cinco minutos ainda na primeira parte e a aguentar depois a reação dos visitados que continuam a pecar na finalização.

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O encontro começou mais uma vez com o Wolverhampton a tomar conta da bola, a jogar no meio-campo adversário mas a ter dificuldades no último terço, tendo ainda um susto na primeira saída do Brentford com um golo anulado por fora de jogo ainda no quarto de hora inicial. As emoções, essas, estariam ainda guardadas para depois dos primeiros 25 minutos: Ivan Toney inaugurou o marcador num penálti por falta na sequência de uma bola parada (28′), houve logo depois mais um golo anulado aos visitantes por mão na bola num lance confuso, Adama Traoré disparou uma bomba à trave (32′) e foi o Brentford que voltou a conseguir surpreender, chegando ao 2-0 numa saída rápida em que Kilman teve uma má abordagem num corte e permitiu que Toney fizesse a assistência ao segundo poste para o desvio de Mbeumo (34′).

Com a troca do central Saïss pelo avançado Hwang ao intervalo, Bruno Lage desfez o 3x4x3, arriscou com dois avançados mas nem por isso o domínio mais acentuado, que se intensificou depois da expulsão por acumulação de amarelos de Shandon Baptiste (64′), trouxe resultados práticos. Mais do que isso, entre uma notória ansiedade que tomou de assalto o Wolverhampton, todos os remates não foram enquadrados com a baliza. Afinal, o problema mantém-se e este novo futebol é bonito até à parte de marcar golos…