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Sai, não sai, sai, não sai, afinal fica mesmo. Foi sensivelmente assim a novela em torno de Harry Kane, capitão do Tottenham, que estaria supostamente a caminho do todo poderoso Manchester City. Não jogou na primeira mão do acesso à Liga Conferência, em Paços de Ferreira, e falhou o primeiro jogo da Premier League. Apareceu 18 minutos frente ao Wolverhampton na jornada 2 do campeonato e depois na segunda mão frente à equipa da Capital do Móvel, à qual marcou dois golos, os únicos, aliás, que tem esta temporada ao serviço da equipa que capitaneia. Este domingo, frente ao Chelsea, vencedor da última edição da Liga dos Campeões, ninguém podia garantir, isso é quase impossível com Kane, que iria continuar em branco. Não fosse ele um dos melhores avançados do mundo, que o ano passado fez 33 golos e 17 assistências e este ano fez três golos em três jogos pela seleção inglesa, da qual também é que capitão.

Nuno Espírito Santo, técnico do Tottenham, eleito melhor treinador do mês de agosto no principal campeonato inglês, mostra-se muito satisfeito com o trabalho do seu avançado, admitindo que ainda está “no processo de encontrar os melhores níveis físicos”. Do outro lado está uma equipa do Chelsea que apenas perdeu pontos na Premier League frente ao Liverpool, num encontro em que jogou muito tempo com menos um jogador. A lança da seta envenenada que é a equipa de Tuchel? Lukaku, que voltou este ano a Londres, vindo de uma época titulada no Inter, a troco de mais de 100 milhões de euros. Com 4 golos no mesmo número de jogos oficiais pelos blues, será que Espírito Santo trocaria o seu avançado pelo belga? “Fazer a troca de Kane por Lukaku? Nem sequer considero uma opção. É algo em que nem penso. Não faz sentido. O Kane é um jogador incrível. Tenho ficado impressionado com a sua qualidade e com o seu talento. E ele ainda pode melhorar mais. Estamos no processo de encontrar os melhores níveis físicos. Mas a dedicação dele tem sido gigante”, afirmou na antevisão ao encontro, mostrando toda a confiança no seu jogador.

De acordo com o Transfermarkt, Lukaku vale 100 milhões de euros e Kane 120. Ambos com 28 anos estão (apesar da novela em torno do jogador dos spurs) no melhor momento das suas carreiras a nível de experiência e jogo, quer a marcar, quer a fazer jogar, e só este duelo “vale o bilhete”. No entanto, Thomas Tuchel, técnico do Chelsea, tinha outros planos para Kane… “Eu pensei que ia acontecer”, disse o técnico alemão sobre uma possível saída de Harry Kane do Tottenham. E acrescentou: “Não estava com medo. Se tivesse acontecido eu estaria muito interessado em como isso talvez também tivesse mudado o estilo de jogo do Manchester City. Pensei que fosse acontecer. Por outro lado fiquei feliz por ele ter ficado porque também é bom que existam no futebol pessoas que joguem por apenas um clube no campeonato. Harry Kane é o Tottenham e mesmo para mim, que não tenho absolutamente nada a ver com eles, obviamente, nunca trabalhei para o Tottenham, mas quando se pensa no Tottenham na última década, pensa-se em Harry Kane”, acrescentou. Tuchel admitiu ainda que o Chelsea sabia da vontade de Kane em sair, mas ele “nunca” pediu a sua contratação.

Outra dúvida do lado do Tottenham prendia-se com a utilização de Lo Celso e Romero, visto que têm estado a treinar na Croácia depois de terem representado a seleção argentina. Isto, claro, devido aos protocolos Covid-19, com os atletas a chegarem muito, muito perto do dia do jogo. De qualquer forma, foram os dois ao relvado de início. Sanchez, que representou a Colômbia, ficou no banco.

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Com os avançados prontos a corresponder ou ajudar os colegas, jogava-se este domingo o encontro 170 entre os dois conjuntos londrinos, num dérbi sempre intenso e apetecível.

A primeira parte foi, sem dúvida, muito interessante. Mesmo com a ausência de golos nos primeiros 45′, ficou claro o porquê de o jogo ser um encontro de cartaz e pelo qual os adeptos, não só os de Chelsea e Tottenham, anseiam. E, ao intervalo, o resultado era aceitável, ainda que ambas as equipas pudessem ter feito golos, o que sem dúvida teria aberto o jogo e dinamizado de outra forma o que se passava no relvado. Relativamente aos homens de referência, estavam dentro do seu perfil, ainda que um estivesse a ter mais dificuldades que outro. Kane, que por norma é um jogador que além de exímio finalizador vem atrás muitas vezes fazer jogar, mais do que buscar jogo. Do outro lado, Lukaku estava a ser muito, mas muito bem controlado pelos centrais do Tottenham, Dier e Romero, mesmo que fosse impossível negar sempre o poderio físico do belga, fosse a receber de costas para a balizar ou a tentar correr campo fora.

Na segunda parte, o Chelsea de Thomas Tuchel resolveu desbloquear o jogo, acabar com o equilíbrio e tudo isto começou ao intervalo, com uma substituição que até pode parecer defensiva: saiu o médio ofensivo Mount e entrou o médio defensivo Kanté, numa substituição que se verificou bastante acertada. Não só porque na sequência de um pontapé de canto Thiago Silva fez o 1-0 para os blues, mas porque foi o próprio Kanté que rematou uma bola que desviou em Dier, enganou Lloris e fez o 2-0 sem estar sequer decorrida uma hora de jogo. Já em cima dos 90′, com o jogo resolvido há muito devido à falta de reação dos spurs, Rüdiger ainda fez o 3-0. O Tottenham estava agora obrigado a ir atrás do jogo, mas sem grandes opções no banco, visto Lucas Moura e Bergwijn estarem lesionados. Mesmo pressionada, a equipa de Espírito Santo não conseguiu reagir e perdeu pela segunda vez consecutiva na Premier League, depois de um arranque com três vitórias (a primeira logo frente ao Manchester City) e que significou até recordes a nível de arranque de época.

Perdeu o Tottenham, mas é preciso elogiar o Chelsea, claro, não só porque a vitória é merecida, mas porque é uma equipa muito bem organizada, que defende bem e é perigosa no ataque — até porque Chelsea e Tuchel não são só Lukaku, como se viu este domingo. Todas as equipas inglesas, e da Europa, devem ter cuidado com este Chelsea.