O canoísta Fernando Pimenta manifestou, esta segunda-feira, o desejo de lutar por duas medalhas em Paris2024, acreditando que tem condições para voltar aos pódios olímpicos depois da prata em Londres2012 e do bronze em Tóquio2020.

O que quero para Paris2024, sem dúvida, é estar na disputa, se possível, de duas medalhas, em duas especialidades. No K1 1.000 metros no qual sempre me foquei muito (…) e, se possível, numa outra tripulação, como o K2 500. Era algo que já ambicionava para Tóquio, infelizmente não tive essa sorte. Podia ter estado na luta por uma medalha não só em K1, mas também em K2 1.000″, disse, em declarações à Lusa.

Pimenta, de 32 anos, e que este fim de semana recuperou o título Mundial de K1 1.000 metros e foi prata em K1 5.000, quer colecionar na carreira os três tipos de medalhas olímpicas, sendo que no desporto português ninguém tem mais de duas.

À chegada a Portugal, admitiu que chegou a ponderar não participar no evento: “Ponderámos muito se devíamos ir ao Mundial, o corpo não respondia e a mente estava muito cansada”. Agora que venceu, tem recebido “uma montanha de mensagens” — tantas que “é impossível responder a toda a gente”, mas “é motivo de orgulho ter aqui as pessoas à nossa espera para nos receber”.

Um ciclo de ouro fechado com uma prata: Fernando Pimenta sagra-se vice-campeão mundial de K1 5.000

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“Já tenho uma de prata, uma de bronze e para ficar bonito no quadro seria uma de ouro, como é óbvio. Sei a dificuldade, porém nos Mundiais de Copenhaga já mostrei que tenho esse perfil e num dia bom posso lutar pela medalha de ouro. Para isso trabalho todos os dias, para evoluir e estar na luta por excelentes resultados”, vincou.

As pretensões de Fernando Pimenta e do seu treinador Hélio Lucas implicam evoluir com os restantes melhores canoístas portugueses, sendo que estes têm trabalhado com o técnico Rui Fernandes, responsável pelo K4 500 metros.

“Nunca fechei a porta a um trabalho de equipa. Espero estar a disputar excelentes resultados em duas finais olímpicas. (…) Há atletas que, provavelmente, também vão querer fazer a dobradinha em Paris. Assim espero e que algum deles se sinta desafiado e aceite”, completou.

Fernando Pimenta destacou a dureza de “trabalhar sozinho” com o seu treinador, pelo que deseja ter outros canoístas a evoluir consigo.

“Também seriam beneficiados, pois vão sofrer, no bom sentido. Sentir a exigência do treino no mais alto patamar. Para mim seria bom ter companhia no treino, jovens talentos e não só a trabalhar comigo. Criar uma equipa e pensar em coisas maiores do que as que conquistei até hoje”, concluiu.

Hélio Lucas formulou o desejo de que a Federação Portuguesa de Canoagem olhe para o trabalho da dupla “com outros olhos”, esperando que, “com diálogo”, seja possível “criar à volta do Fernando (Pimenta) uma equipa multidisciplinar para o apoiar, tendo atletas com quem consiga treinar”.

“Para Paris2024 não vai querer fazer só o K1, no mínimo quer fazer duas embarcações e poderá lutar por duas medalhas se realmente forem criadas condições à volta dele, com companheiros de treino”, sentenciou, desejando que a federação dê “ouvidos” a estas pretensões.

O técnico clarifica que não são condições financeiras que estão em causa, tão-só o poder evoluir com um grupo, facto que estimularia a “motivação”, num “clique” que entende poder “fazer a diferença”. Com os dois pódios em Copenhaga, Fernando Pimenta tem no currículo 108 medalhas em competições internacionais.

Quanto ao futuro da sua carreira, o atleta pensa que continuará na alta competição “pelo menos mais oito anos”, dependendo do seu estado estado mental, da continuidade de alguns apoios fulcrais para manter a “motivação e predisposição a dar melhor” e da saúde física, uma vez que “os treinos podem levar-nos ao limite”.