O presidente do CDS-PP considerou esta terça-feira que o englobamento obrigatório no IRS vai ser uma “machadada no mercado” de arrendamento e acusou a esquerda de ter um “apetite voraz” pelo dinheiro dos contribuintes.

O jornal Eco noticiou que, no âmbito do Orçamento do Estado para o próximo ano, o Governo está a negociar com os partidos à esquerda o englobamento obrigatório de rendimentos no IRS, o que poderá significar um agravamento fiscal para muitos proprietários.

“Esta proposta é uma machadada no arrendamento habitacional em Portugal e uma bomba-relógio para as famílias porque vai agravar fiscalmente as rendas dos proprietários, porque vai fazer com que os proprietários aumentem o valor das rendas pela subida do imposto e vai retirar habitação do mercado habitacional”, afirmou Francisco Rodrigues dos Santos.

O líder do CDS fala aos jornalistas à margem de uma arruada em Vale de Cambra, distrito de Aveiro, no âmbito da campanha oficial para as eleições autárquicas de domingo.

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Rodrigues dos Santos antecipou que os proprietários “vão naturalmente aumentar o valor das rendas pela subida do imposto, e muitos deles até nem sequer vão colocar a sua casa no mercado de arrendamento”, temendo também que ” o arrendamento informal aumente porque o formal não é compensatório nem para os proprietários nem para os inquilinos”.

“Em Portugal o arrendamento e a habitação já é altamente tributado, o que nós precisamos é de aliviar os impostos para aumentar a oferta, diminuir o valor das rendas e incentivar os proprietários a colocar habitação no mercado habitacional”, defendeu.

Apontando que “60% do valor das rendas são impostos”, o centrista criticou que “é um assalto à carteira dos portugueses para entregar ao Estado” e lamentou também que “apenas um terço do arrendamento em Portugal é feito a preços acessíveis”.

Falando numa “ditadura fiscal sobre o arrendamento”, Francisco Rodrigues dos Santos disse que esta proposta, a confirmar-se, é “um crime que a extrema-esquerda está a fazer pelo seu apetite voraz que tem pelo dinheiro dos contribuintes, pelo assalto, pelo esbulho”.

“É sobrecarregar ainda com mais impostos um arrendamento que já é altamente tributado em Portugal”, acrescentou.

Apontando que “quem tem baixos rendimentos, nomeadamente os jovens em início de vida que querem ter acesso à habitação a preços acessíveis, vão ficar excluídos dessa oportunidade de ter a sua habitação ou vão ter de pagar rendas muito mais elevadas”, Rodrigues dos Santos frisou que “é esta a consequência desta golpada que o PS e a extrema-esquerda estão a fazer em Portugal ao nível do arrendamento”.

Na ocasião, o presidente do CDS-PP foi também instado a comentar as palavras do secretário-geral do PS que disse que no que toca a políticas de habitação “o PSD e o CDS tiveram a ilusão de que, com a lei Cristas, o mercado produziria o milagre de garantir habitação acessível a todas e a todos”.

“Bom, ficou provado, para quem tivesse dúvidas, que o mercado não só não tem nenhuma mão invisível, tem uma mão bem visível: é a mão da especulação e da exclusão ao direito a habitação de muitas e muitas famílias”, salientou António Costa.

Em resposta, Francisco Rodrigues dos Santos indicou que “a mão invisível que o mercado da habitação tem em Portugal chama-se Estado e chamam-se impostos, chama-se IMI, IMT, IVA”.

“Essa é que é a grande especulação, especulação do esbulho e do assalto à carteira dos portugueses que o Estado faz através dos impostos que pratica no mercado da habitação”, frisou.