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Serena Williams e Maria Sharapova encontraram-se 22 vezes ao longo de 15 anos. A rivalidade entre as duas foi uma das mais proeminentes da história recente do ténis feminino — mas não necessariamente pelo prisma desportivo. Em conjunto, a norte-americana e a russa confrontavam duas personalidades fortes, dois estilos de jogo muito agressivos, duas presenças mediáticas gigantescas e até uma relação que nunca foi pacífica. Serena ganhou 20 vezes, Sharapova só ganhou duas. Mas foi precisamente numa dessas duas ocasiões que as tenistas começaram uma zanga que só agora terminou.

Em 2004, Serena Williams chegou à final de Wimbledon como bicampeã em título e tinha como adversária a jovem Maria Sharapova, de apenas 17 anos. A russa venceu em dois sets, conquistou o primeiro Grand Slam da carreira e tornou-se apenas a terceira mais nova de sempre a ganhar o major britânico, atrás de Lottie Dod e Martina Hingis. Depois desse dia, a norte-americana só voltou a perder com Sharapova numa outra ocasião e só permitiu que os encontros chegassem ao terceiro sets três vezes, assumindo a rivalidade como uma demanda pessoal. O que só se soube recentemente, em 2017, foi precisamente a forma como Serena sentiu a derrota na final de Wimbledon, em 2004.

Maria Sharapova, a princesa do ténis que se tornou milionária fora dele, terminou a carreira

“Ia a caminho do balneário e ouvi a Serena a chorar. Estava a soluçar. Saí dali muito rápido. Penso que ela me odiava porque foi a miúda fraca que a derrotou, contra todos os prognósticos. E creio que ela me odiou ainda mais porque a vi naquele momento de fraqueza, porque a ouvi a chorar. Nunca me vai esquecer por causa disso”, escreveu a tenista russa na biografia “Unstoppable: My Life So Far”, publicada há quatro anos. Poucos meses depois, a norte-americana relativizou a situação mas não escondeu o desconforto com o facto de Sharapova ter decidido revelar o episódio.

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“Não tenho nenhuma sensação negativa em relação a ela. Mas claro que foi um pouco dececionante ver esse rumor escrito no livro. Penso que nós, mulheres, devíamos ajudar-nos umas às outras”, disse Serena Williams. Ora, a rivalidade entre as duas, pelo menos dentro de court, terminou no início do ano passado, quando Sharapova colocou um ponto final na carreira depois de os últimos anos terem sido marcados por um escândalo de doping. Na semana passada, as duas tenistas resolveram enfim tudo o que as dividia num local improvável — na MET Gala, o mediático baile do Museu Metropolitano de Arte de Nova Iorque.

A ideia de que Serena e Sharapova haviam feito as pazes começou por surgir através de uma fotografia, partilhada pela russa, onde as duas aparecem lado a lado e junto a Venus Williams, a irmã mais velha da norte-americana. Mais tarde, as duas voltaram a aparecer muito sorridentes e à entrada de uma casa de banho, já sem a irmã de Serena. A explicação, assim como a confirmação de que a zanga acabou mesmo, surgiu por intermédio de Venus Williams.

“Eu e a Serena tínhamos estado a falar sobre ela no dia anterior, tínhamos estado a dizer que queríamos que ela voltasse a competir. E depois vimo-la antes da gala e ambas dissemos, separadamente, que tínhamos estado a falar sobre ela e que adorávamos que ainda jogasse. Ficámos muito felizes por nos vermos, abraçámo-nos, rimos, recuperámos histórias e tirámos fotografias. Enquanto tenistas, competimos de forma dura nos courts durante anos mas respeitamo-nos e gostamos umas das outras. E nós gostamos da Maria”, explicou a tenista de 41 anos no Instagram.

“Se alguma vez me despedir, não digo a ninguém”. Serena e o fim cada vez mais próximo de um ciclo que se tornará um legado