O presidente do banco central dos EUA, Jerome Powell, disse esta quarta-feira que “é muito importante” que o limite da divida pública seja elevado “nos melhores prazos para que os EUA possam pagar as suas faturas“.

Durante uma conferência de imprensa, o dirigente da Reserva Federal (Fed) declarou que esta subida “é de uma importância crucial“, quando os republicanos no Congresso se recusam a elevar ou suspender o limite da dívida.

Se este limite não for elevado “pode provocar reações graves, graves prejuízos para a economia, para os mercados financeiros, ou simplesmente não é qualquer coisa que possamos desejar”, acrescentou. O Departamento do Tesouro estima que os EUA atinjam este limite até ao fim do mês de outubro.

A limitação do crescimento da dívida voltou a vigorar depois de 1 de agosto, ao fim de dois anos de suspensão.

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No cenário de falta de acordo no Congresso para suspender outra vez ou elevar o limite da dívida, os EUA deixarão de se poder financiar e incorrer em um inédito incumprimento.

Os congressistas têm até 30 de setembro para superar as suas fortes divergências e divisões.

O governo de Joe Biden relembra que o limite da dívida refere-se a despesas já realizadas, incluído pelo governo do seu antecessor, e não às que ainda não foram aprovadas.

Democratas e republicanos “têm a responsabilidade de pagar a dívida que já foi contraída, o que se fez com a participação dos dois partidos”, realçou na segunda-feira o chefe da maioria democrata no Senado, Chuck Schumer.

“Este não é um novo combate partidário: trata-se de evitar uma crise que anule todos os progressos que o nosso país conseguiu para se levantar da crise do novo coronavirus”, garantiu.

Também na segunda-feira, o governo Biden voltou a alertar para o risco de uma “crise financeira histórica”, porque os EUA deixariam de poder honrar as suas responsabilidades financeiras a partir de meados de outubro.

Taxas de juro a subir, soldados e reformados sem rendimento, nova recessão nos EUA e milhões de empregos destruídos – a secretária do Tesouro, Janet Yellen, descreveu uma visão apocalíptica em texto editorial no Wall Street Journal.

O limite da dívida, que voltou a vigorar a partir de 01 de agosto, está nos 28,4 biliões de dólares, o que compara com os cinco mil milhões de dólares em meados dos anos 1990, depois de ter sido suspenso em agosto de 2019.

O tema é habitual na vida política dos EUA: desde os anos 1960, este limite foi elevado ou suspenso oitenta vezes.

A incapacidade de subir o limite da dívida teria “graves consequências que os peritos não são capazes de prever com antecipação”, tinha sublinhado o Comité para um Orçamento Federal Responsável, em 28 de julho.

Os EUA nunca entraram em incumprimento, mas em 2011, durante a Presidência de Barack Obama, o impasse político levou a agência de notação Standard and Poor’s a retirar a nota máxima da dívida norte-americana, o designado Triplo A (AAA), o que então provocou uma onda de choque nos mercados.