Falta de condições e preços elevados das bancas foram algumas das queixas dos comerciantes do Mercado Municipal de Santiago, em Aveiro, ouvidas esta quarta-feira pelo candidato do Nós, Cidadãos! à presidência da Câmara, Paulo Alves.

Numa ação de campanha, o cabeça-de-lista do Nós, Cidadãos! à autarquia aveirense visitou ao final da manhã o Mercado de Santiago para dar a conhecer o seu programa, encontrando um espaço praticamente vazio, com poucos clientes, uma realidade que os comerciantes dizem estar relacionada com o aparecimento das grandes superfícies.

“Isto tem sido a morte dos mercados municipais. É como você vê as pessoas que aí estão”, disse uma vendedora de frutas e legumes a Paulo Alves, explicando que ao sábado “é mais qualquer coisa, mas não é suficiente”.

Fernanda Moço, que trabalha nos mercados há 50 anos, queixou-se ainda da falta de condições daquele espaço, afirmando que “há sítios onde chove como na rua”.

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Durante a sua passagem pelas várias bancas, o candidato foi ouvindo outros lamentos de quem ali trabalha, como o facto de o elevador estar avariado há três meses ou o facto de o piso ser “muito escorregadio”, o que já motivou várias quedas.

Mais à frente, outra vendedora disse estar revoltada com os elevados preços que a câmara cobra pelas bancas: “Isto é uma exploração”.

“Na Palhaça pago 40 cêntimos por cada lugar e aqui, por duas bancas, pago 62 euros por mês. Não há mercado nenhum que se pague tão caro”, vincou Maria Ferreira da Rosa, que admite deixar esta atividade no próximo ano.

No final da visita, em declarações à agência Lusa, Paulo Alves defendeu que o Mercado Municipal de Santiago precisa de “uma grande requalificação”, adiantando que “apesar de ter havido algumas intervenções recentemente, estas não foram ajustadas”.

O candidato defendeu ainda que é preciso revitalizar e requalificar o Mercado para contrariar esta “desertificação e migração” dos clientes para os hipermercados, que disse ter sido agravada com a abertura recente de mais duas grandes superfícies.

“Daqui a pouco temos os pequenos comerciantes a trabalhar como caixas de supermercado, porque eles assim não conseguem sobreviver. Portanto, temos de ter aqui uma política de incentivo ao comércio local”, disse.

Relativamente aos preços das bancas, Paulo Alves defendeu uma “redução ou isenção” das tarifas cobradas pela autarquia no período da pandemia e pós pandemia para ajudar os pequenos comerciantes.

“Há aqui negócios de sobrevivência em que o pequeno produtor faz os seus cultivos em casa e coloca aqui diretamente na banca para poder vender no mercado e os custos das bancas de 30 euros por meio metro quadrado é muito caro”, explicou.

Na corrida à presidência da Câmara de Aveiro estão o atual presidente Ribau Esteves (PSD/CDS-PP/PPM), Manuel Oliveira de Sousa (PS/PAN), Nelson Peralta (BE), Miguel Viegas (CDU), Cândido Oliveira (Chega), Miguel Gomes (Iniciativa Liberal), Paulo Alves (Nós, Cidadãos!) e João Pinto (PCTP/MRPP).