A SIC e o Trojan Horse was a Unicorn (THU) anunciaram esta quarta-feira o lançamento de um fundo de 10 milhões de euros, no próximo ano, para desenvolver as indústrias de entretenimento digital e interativo em Portugal.

Este fundo tem a “ambição de criar aqui uma indústria forte e com potencial de exportação em Portugal na área do entretenimento digital”, disse à Lusa o presidente executivo da Impresa, Francisco Pedro Balsemão.

O entretenimento digital “é um mercado gigantesco a nível mundial, mas em Portugal não tem ainda a mesma expressão”, acrescentou o gestor, destacando que existe “imenso potencial”.

A Impresa/SIC irá fazer “um investimento neste fundo, que são 300 mil euros”, sendo o primeiro investidor.

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“A grande mais-valia é dar um passo também lá para fora com o THU e podermos ter acesso direto, através da participação neste fundo, ao talento internacional e aos melhores conteúdos para as nossas plataformas digitais”, acrescentou Francisco Pedro Balsemão.

Esta sinergia com o THU é “complementar à nossa atividade”, referiu, salientando que o grupo Impresa “tem de estar em todas as frentes”.

O THU “é hoje a maior comunidade de criadores a nível mundial”, apontou, por sua vez, o fundador André Luís.

“Os seus criadores são quase todos eles introvertidos e são artistas maravilhosos que não são empreendedores, ou seja, todas as suas ideias estão no papel e não confiam em ninguém”, salientou André Luís, referindo que desde 2017 andava a encontrar “uma forma de conseguir criadores a mudar de ‘mindset’ e trazer as suas ideias para o mundo real”.

Atualmente, “temos a maior ‘poll’ de talento mundial” e “este fundo nasce nessa necessidade e no desejo de conseguirmos fazer uma mudança no ecossistema mundial de criadores”, salientou André Luís.

“Quando o Governo português me convenceu a voltar a Portugal comecei a trabalhar neste fundo mais a sério, porque eu quero que a produção dos projetos que vamos investir seja feita em Portugal, quero que os criadores venham para Portugal criar”, sublinhou.

André Luís explicou que os projetos em que o THU vai investir “são para para criadores da Tribo do THU”.

Ou seja, “nós trabalhamos com 100 países, quem é da Tribo vai poder submeter as suas ideias, vai poder ser ajudado no fundo e, depois, os que ganharem vão ter que produzir aqui em Portugal”, explicou.

O fundador do THU sublinhou que um “dos grandes ‘assets’ [ativos]” do fundo é a metodologia de escolha dos projetos.

De um lado está o fundo, do outro os criadores e, no meio, a seleção será feita através de um processo que denomina de ‘creator circle’ [círculo de criadores], que é uma “espécie de ‘Shark Tank’, com uma semana de mentoria”.

Por exemplo, 30 criadores submetem os seus projetos e 10 são selecionados. Estes 10 serão trabalhados durante uma semana com mentores mundiais para poder dissecar os seus projetos e ver no final da linha quais são aqueles que estão efetivamente preparados para serem investidos e para iniciar a parte de produção, explicou.

“Para mim, Portugal não é a meca da produção em escala, é a meca da produção da inovação”, rematou André Luís.

Esta sinergia pretende tirar partido das valências e competências de ambas as empresas para dinamizar a indústria criativa, criando novos mecanismos para o seu desenvolvimento, tais como a promoção de programas e ações educativas, incubação de talento, criação de ‘hubs’ de produção e outras iniciativas nas áreas do cinema, produção para televisão, animação, gaming, ‘streaming’, entre outras.

“O objetivo é apoiar o talento local, com especial enfoque nos jovens”, referem as empresas, em comunicado.

A indústria de entretenimento digital é a terceira maior do mundo, sendo que, na Europa, o conjunto das indústrias criativas vale mais de 509 mil milhões de euros e estima-se que seja responsável por 12 milhões de postos de trabalho diretos.