Um contingente de 120 soldados da Tunísia desembarcaram esta terça-feira para participarem pela primeira vez na Missão Multidimensional de Estabilização Integrada das Nações Unidas na República Centro-Africana (Minusca), informaram fontes oficiais.

Este é o primeiro contingente de pessoal militar destacado pela Tunísia no seio da Minusca, que tinha apenas alguns agentes policiais do país a participarem na força internacional que procura a paz neste país pobre e em guerra civil há sete anos.

Os tunisinos formam uma “unidade de helicópteros”, disse o general Paulo Maia Pereira, subcomandante da força Minusca, citado pela agência France-Presse, especificando que os helicópteros tunisinos chegarão dentro de alguns dias.

Os soldados da força aérea tunisina fazem parte de um reforço gradual de 3.000 soldados de manutenção da paz decidido pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) em 12 de março e é o segundo contingente destacado neste quadro, após um grupo de 300 soldados ruandeses no início de agosto.

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A Minusca foi destacada pela ONU em abril de 2014, para tentar pôr fim à guerra civil sangrenta que se seguiu a um golpe de Estado no ano anterior contra o então Presidente François Bozizé na República Centro-Africana (RCA).

A luta que se seguiu entre a coligação de grupos armados que o derrubaram, a Séléka, predominantemente muçulmana, e milícias apoiadas pelo chefe de Estado deposto, anti-balaka, dominadas por cristãos e animistas, atingiu o seu auge entre 2014 a 2015.

Desde então, a intensidade da guerra civil na RCA diminuiu consideravelmente, mas a Minusca ainda tem cerca de 15.000 efetivos no país da África Central, 14.000 dos quais fardados, com a missão prioritária de proteger os civis.

Além da Minusca, também a União Europeia tem uma força destacada no país, que constitui a Missão de Treino da União Europeia na República Centro-Africana (EUTM-RCA), cujo comando Portugal assumiu durante o último ano, desde setembro de 2020, e acaba de entregar a um general francês.

Portugal comandava esta missão desde setembro de 2020, com um contingente de 61 militares, pertencentes aos três ramos da Forças Armadas, que incluiu seis militares brasileiros.

Em 11 de setembro, o brigadeiro-general português Paulo Neves de Abreu entregou o comando da missão ao general francês Jacques de Montgros, numa cerimónia com o ministro da Defesa, João Gomes Cravinho, em Bangui, capital da RCA.

Com a transferência do comando para França, o número de militares portugueses será ajustado para 20, informou então a tutela.

O território centro-africano tem sido palco de confrontos comunitários entre grupos, que obrigaram quase um quarto dos 4,7 milhões de habitantes da RCA a abandonarem as suas casas.