As coisas não estavam nada fáceis ao intervalo. As coisas pior ficaram após o final do jogo. As coisas afinal foram ainda piores do que aparentavam ter sido e o encontro entre Valongo e Sporting, no Pavilhão que para os seguidores de hóquei em patins é conhecido também como San Siro, já motivou uma queixa esta quinta-feira por parte dos leões ao Conselho de Disciplina da Federação de Patinagem de Portugal.

Com o habitual ambiente ao rubro no Pavilhão Municipal de Valongo, o facto de se ter jogado um encontro morno e com apenas um golo na primeira parte (Gonçalo Nunes, de meia distância) fez com que os ânimos estivessem mais controlados mas o último lance antes do intervalo, que passou até ao lado da transmissão televisiva num primeiro instante (da BolaTV), proporcionou a primeira explosão de ânimos com vários jogadores a empurrarem-se, o ambiente muito tenso não só nas bancadas mas junto aos balneários e dois cartões vermelhos para Ferran Font (jogador do Sporting) e João Almeida (adjunto do Valongo).

Na segunda parte, onde os leões estiveram na frente até ao empate de Vieirinha a seis minutos do final de livre direto antes dos golos de Matías Platero e Gonzalo Romero que fizeram o 5-3 para os campeões, tudo piorou e passou as barreiras: num pavilhão com mais do que 50% de assistência permitida, foi bem visível através da BolaTV a invasão dos adeptos da casa à zona onde estavam concentrados os adeptos do Sporting sem que por perto estivessem forças da autoridade. Mais tarde, as agressões e ameaças continuaram, com os responsáveis verde e brancos a explicarem que a fuga para o balneário foi a única solução.

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“Após a vitória do Sporting por 5-3, os adeptos do AD Valongo ameaçaram e agrediram adeptos do Sporting e elementos do staff. Situação que obrigou o staff e adeptos a terem de refugiar-se nos balneários, sendo necessário prestar imediata assistência médica a um dos adeptos gravemente agredido. Posteriormente, ocorreu ainda uma segunda vaga de violência após entrada de outros adeptos do AD Valongo, alguns acompanhados de cães e martelos, que voltaram a agredir os adeptos do Sporting CP que ainda permaneciam nas bancadas”, revelou o clube lisboeta através de comunicado.

“O número de lotação do pavilhão era superior ao permitido, o que contrastava com o reduzido e insuficiente número de forças policiais – circunstância preponderante para o sucedido. Tanto a comitiva do Sporting, como os nossos adeptos, tiveram de ser escoltados pelas forças policiais. Forças policiais que tiveram que ser contactadas pelo Sporting para se deslocarem ao recinto e assegurar a saída em segurança”, acrescentou ainda, a propósito das condições no Pavilhão Municipal de Valongo.

“O Sporting enviou uma exposição ao Conselho de Disciplina da Federação de Patinagem de Portugal a relatar ao pormenor todos os incidentes. O clube repudia todas as formas a violência no desporto e apela, uma vez mais, às autoridades competentes que ajam no sentido de banir certas pessoas e comportamentos dos recintos desportivos. Uma palavra final para os nossos adeptos, incansáveis no apoio à equipa e que sofreram, pela inoperância e falta de condições mínimas de segurança, atos de violência inqualificáveis”, concluiu o texto revelado pelos leões após o jogo da primeira jornada.