Rui Costa tem reunido com vários elementos dos órgãos sociais demissionários do Benfica e com outras figuras representativas de sensibilidades diferentes do universo encarnado nos últimos dias mas, depois da carta enviada por Varandas Fernandes esta tarde, houve a primeira grande surpresa pré-eleitoral quando nada o fazia prever: José Eduardo Moniz já comunicou que não fará parte da lista ao próximo sufrágio.

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Numa carta enviada ao líder interino e candidato assumido à presidência do clube nas eleições de dia 9 de outubro, Moniz, que era também administrador da SAD (ao contrário de Varandas Fernandes), acabou por contrariar uma das poucas certezas que existia em relação ao elenco que irá apresentar nos próximos dias. Mais: de acordo com o que explicaram algumas fontes conhecedoras do processo ao Observador, o antigo vice foi das pessoas mais próximas e ativas no período entre a detenção de Vieira e o sufrágio.

“Os desafios profissionais que se me deparam não se compadecem com  dispersão de atividades e o Benfica merece sempre a máxima entrega, por parte de quem a ele decide dedicar-se, com militância efetiva. Sou seu amigo e admirador. Trocámos confidências e alimentámos cumplicidades, ao longo destes anos. Em tempos complexos, estivemos juntos”, escreveu na carta da renúncia a que o jornal Record teve acesso, antes de deixar também algo que poderá ser interpretado de vários formas em relação ao passado do clube com Luís Filipe Vieira. “Nestas últimas semanas, fez-se mais pela restauração do espírito do Benfica democrático do que em muitos anos”, atirou no final do segundo parágrafo o antigo vice.

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“Você [Rui Costa] tem nas mãos um processo entusiasmante, que deve merecer o apoio de todos os benfiquistas. Faço votos para que seja bem sucedido tanto na vida pessoal como na prossecução dos objetivos que conduzam o Benfica à recuperação da grandeza de outrora”, concluiu José Eduardo Moniz.

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De recordar que, à semelhança de Varandas Fernandes, Moniz entrou para a Direção do Benfica na eleição de 2012, assumindo o cargo de vice da lista de Luís Filipe Vieira depois de um período onde foi apontado como candidato… contra Vieira. Desta forma, sobram apenas cinco vices com possibilidade de seguirem com Rui Costa num novo mandato: Domingos Almeida Lima, Fernando Tavares, Sílvio Cervan, Jaime Antunes (que subiu a efetivo após a demissão de Vieira) e Rui Vieira do Passo (suplente). Destes, tudo aponta para que alguns não entrem também na lista. Fernando Tavares é para já o único certo.

Também a composição da SAD vai mudar em relação ao atual figurino: sendo certo que Rui Costa se vai manter como presidente em caso de eleição e que José Eduardo Moniz está de saída, as permanências de Sílvio Cervan, Miguel Moreira e sobretudo Domingos Soares de Oliveira não estão confirmadas.