O arranque de temporada que o Liverpool está a ter tem principalmente uma consequência: lembrar que esta equipa, treinada por Jürgen Klopp, continua a ser das melhores do mundo. Com quatro vitórias em cinco jornadas na Premier League, com um início de Liga dos Campeões positivo contra o AC Milan, com muitos golos marcados e poucos sofridos, os reds passaram as últimas semanas a candidatar-se novamente à conquista dos principais troféus. E muito disso passa pelo momento de forma de Mohamed Salah.

O avançado egípcio já leva cinco golos e duas assistências esta época e tem estado particularmente intratável longe de Anfield, já que leva 17 golos nos últimos 21 jogos fora do Liverpool. Este sábado, também fora e contra o Brentford, Salah podia atingir a marca redonda dos 100 golos pelo Liverpool na Premier League, sendo que seria o terceiro mais rápido de sempre a atingi-la, e tornar-se ainda o 10.º melhor marcador da história do clube. Números, registos e patamares que, na opinião de Klopp, colocam o avançado lado a lado com Robert Lewandowski, que o treinador alemão orientou ainda no Borussia Dortmund.

“Claro que o Mo Salah está ao nível dele, não há qualquer dúvida sobre isso. É uma máquina de fazer golos. O profissionalismo dele não fica atrás de ninguém. Faz tudo para estar sempre em forma e nunca perde o foco. É o primeiro a chegar, o último a sair, esse tipo de coisas, isso é o Mo. Além disso, além da capacidade técnica que tem, está sempre desesperado por marcar golos e isso também ajuda. É exatamente assim com o Lewandowski também. Isso é bom e ajuda qualquer jogador de futebol. Aconteça o que acontecer em campo, independentemente do que criares, precisas de alguém que leve a bola para lá da linha e contra a rede. O Mo está ao nível dos melhores que eu já vi. Ele sabe isso. Os números dele são uma loucura. E eu sou obviamente muito abençoado por poder trabalhar com alguns destes grandes jogadores”, explicou o treinador do Liverpool na antevisão da visita ao Brentford, o último jogo dos reds antes da visita de terça-feira ao FC Porto, na fase de grupos da Liga dos Campeões.

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Ora, para além do crónico Salah, o treinador alemão fazia várias alterações à equipa que bateu o Crystal Palace na última jornada. Thiago Alcântara, que está lesionado, era substituído por Curtis Jones no meio-campo, sendo que Konaté, Tsimikas e James Milner devolviam os lugares a Matip, Robertson e Trent Alexander-Arnold. No ataque, como já vem sendo normal e até porque Roberto Firmino acabou de voltar de uma lesão, Diogo Jota era titular no trio ofensivo.

A primeira parte trouxe oportunidades para os dois lados, com Salah e Mbeumo a criarem perigo nas duas balizas, e acabou por ser o Brentford a inaugurar o marcador. Na sequência de um livre ensaiado, Canos cruzou na direita já junto à linha final, Toney deu um toque brilhante de calcanhar, Jansson falhou o desvio ao centro e acabou por ser Pinnock, ao segundo poste, a colocar a bola no fundo da baliza (27′). A desvantagem do Liverpool, porém, durou muito pouco. Menos de cinco minutos depois, Van Dijk empurrou a equipa para a frente com um passe para Salah, Henderson tirou um grande cruzamento a partir da direita e Diogo Jota, sempre letal no jogo aéreo, cabeceou para igualar o resultado (31′). Ao intervalo, os reds estavam empatados com o Brentford no Community Stadium.

Ainda dentro dos primeiros dez minutos da segunda parte, Salah fez aquilo por que todos esperavam: marcou, na sequência de uma assistência de Fabinho (54′), chegou aos 100 golos pelo Liverpool na Premier League e tornou-se o 10.º melhor marcador da história do clube. A euforia dos reds, contudo, durou muito pouco. O Brentford chegou novamente à igualdade por intermédio de Janelt, que aproveitou uma confusão da grande área adversária para cabecear para dentro da baliza (63′) — Alexander-Arnold ainda se esticou para evitar o golo mas a bola ultrapassou mesmo a linha na totalidade.

Num jogo de loucos, contudo, a história estava longe de estar fechada. Curtis Jones voltou a pôr o Liverpool em vantagem com um remate forte no vértice esquerdo da grande área, que ainda desviou em Ajer (67′), e foi de imediato substituído por Roberto Firmino. Thomas Frank respondeu com a entrada de Baptiste, Salah ficou perto de bisar com um chapéu que passou ligeiramente por cima (77′) e o Brentford voltou a conseguir empatar, desta feita por intermédio de Wissa (82′).

O resultado não voltou a alterar-se e o Liverpool não conseguiu mais do que um empate contra o Brentford, perdendo a oportunidade de aumentar a vantagem em relação ao Manchester United e ao Chelsea, que foram derrotados nesta jornada, e tendo agora o Manchester City a apenas um ponto de distância.