Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

O Governo alemão anunciou a estratégia para os incentivos aos veículos híbridos plug-in (PHEV) para os próximos anos. Em vez dos actuais 40 km em modo eléctrico, como limite mínimo para aceder a ajudas governamentais, os PHEV vão ter de garantir uma autonomia em modo EV de 60 km em 2022. Dois anos depois, em 2024, a fasquia dará um salto para 80 km, segundo a publicação alemã Automobilwoche. A medida será imposta até 2025, com os especialistas a admitirem que esta solução mecânica deixará de fazer sentido após essa data, sobretudo se deixar de receber incentivos.

Os veículos com mecânicas PHEV, que conjugam motores de combustão com unidades eléctricas alimentadas por pequenas baterias, de forma a reduzir os consumos e as emissões, garantindo ainda a capacidade de circular durante algumas dezenas de quilómetros em modo eléctrico, são vistos por muitos como um estágio intermédio rumo aos veículos 100% electrificados.

Os condutores apreciam as vantagens dos PHEV, ao assegurar o melhor de dois mundos – podendo circular apenas com motor eléctrico nas curtas deslocações durante a semana, para depois recorrer à solução híbrida para as viagens mais longas do fim-de-semana –, enquanto os construtores os veneram por assegurarem maiores margens de lucro no momento, especialmente quando comparados com os modelos 100% eléctricos que exigem chassi e fábricas específicas para materializarem todo o seu potencial de eficiência e custos.

Mas os PHEV, se teoricamente apresentam muitas vantagens, sofrem igualmente de algumas fragilidades. A maior prende-se com a incapacidade de assegurar que os seus proprietários recarregam a bateria sempre que possível, operação sem a qual caem pela base as suas vantagens em termos de economia e de protecção ambiental, que justificam os incentivos financeiros que recebem. Há, contudo, a teoria que os PHEV com maior autonomia em modo eléctrico serão recarregados de forma mais frequente, o que leva alguns construtores (Mercedes, BMW e, mais recentemente, a Volvo) a apostar em autonomias em EV de 80 km a 100 km, estratégia a que o Governo alemão agora se associou.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

As medidas anunciadas pelo Governo germânico já sofreram contestação por parte dos representantes da indústria automóvel alemã, através da associação de fabricantes locais Verband der Automobilindustrie (VDA). Avisa o presidente da VDA, Hildegard Müller, que embora os construtores apreciem “a extensão das ajudas aos PHEV até 2025”, o incremento da autonomia para 80 km em modo EV “representa um desafio tecnológico pela necessidade de alojar packs de baterias mais generosos”.

Tal exigência será quase impossível de cumprir em veículos dos segmentos B (utilitários), C (compactos) ou até D (médio inferior), pela manifesta ausência de espaço para alojar uma bateria com cerca de 25 kWh sem sacrificar (muito) a capacidade da mala. Müller garante mesmo que “50% dos actuais PHEV ficam abaixo dos limites para as ajudas”, referindo-se certamente aos 60 km previstos para 2022, uma vez que os 80 km de 2024 deixarão de fora mais de 90% dos actuais PHEV em comercialização.