Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

António Costa garante que não está prevista nenhuma remodelação do Governo devido aos resultados das eleições autárquicas — leia-se, a perda da Câmara de Lisboa e a redução da diferença de câmaras em relação ao PSD. O primeiro-ministro também afasta um cenário de crise política, após os apelos de Marcelo Rebelo de Sousa. “Mas quem é que deseja crises políticas no momento em que o país está a tentar sair da maior crise económica que alguma vez tivemos?”

PS teme “percepção” criada por perda de Lisboa e pede a Costa remodelação do Governo

À saída da última reunião da taskforce para a vacinação contra a Covid-19, António Costa foi questionado sobre uma eventual remodelação governamental como consequência dos resultados das autárquicas. Mas afastou esse cenário. “Pensei que essa questão sobre a remodelação tinha ficado esclarecida e ultrapassada em julho. Não está nenhuma remodelação prevista. A única remodelação é a remodelação dos autarcas, uns porque já não se podiam recandidatar, outros porque os eleitores não renovaram a sua confiança”, afirmou, repetindo que “não há nenhuma remodelação do Governo em resultado das eleições autárquicas“.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Mas dentro do PS, o desejo é outro. Como o Observador já escreveu, os socialistas receiam o “efeito sobre a perceção” pública que a perda de Lisboa criou e, como resultado, vão pressionar Costa para que avance com essa remodelação.

Os resultados eleitorais também não vão dificultar as negociações do OE, acredita António Costa. “Não há nenhuma razão para que uma coisa altere a outra“, disse. Já questionado sobre as declarações de Marcelo Rebelo de Sousa de que não é desejável o país ter uma crise política até 2023, Costa também rejeita que isso vá acontecer: “O desejo do senhor Presidente da República é partilhado por mim e pela esmagadora maioria dos portugueses. Mas quem é que deseja crises políticas no momento em que o país está a tentar sair da maior crise económica que alguma vez tivemos, de uma crise sanitária terrível como tem sido esta pandemia da Covid?”

O cenário “não faz sentido” e “não se põe”. O objetivo agora é “trabalharmos” para a entrega de um “bom orçamento do Estado”, no dia 11.

Já sobre a perda da Câmara de Lisboa, questionado sobre se o PS deve viabilizar a eleição de Carlos Moedas, Costa diz que “o líder do PS não interfere nessas decisões”, que competem aos eleitos e à estrutura concelhia do PS. Voltando a desejar o “melhor sucesso” a Moedas, o primeiro-ministro reitera que o PS continua a ser o “maior partido autárquico” e teve uma “vitória clara”.

No caso de Lisboa, reconhece que ficou “surpreendido” com o resultado e admite que as empresas de sondagens terão de fazer um debate “consigo próprias para saber se o erro foi das sondagens, se foram as pessoas que alteraram a sua própria opinião”. “A vontade dos lisboetas foi mudar a liderança da Câmara. É assim, em 2007 também tiveram essa vontade, na altura votaram em mim. A democracia é mesmo assim. É a chamada alternância democrática”.

País tem doses suficientes caso os técnicos decidam pela terceira dose

Sobre a administração da terceira dose da vacina contra a Covid-19, António Costa remeteu uma decisão para os técnicos, mas garante que, qualquer que seja esse resultado, o país tem capacidade logística e disponibilidade de vacinas para a concretizar.

“O que nos compete a nós é assegurar que qualquer que seja a decisão dos técnicos temos condições para a assegurar”, afirmou, adiantando que o país tem contratadas e adquiridas vacinas suficientes seja para vacinar só os maiores de 65 anos ou toda a população, se for essa a decisão dos técnicos.

Embora o país não tenha chegado a 85% de cobertura vacinal, está muito perto, pelo que a nova fase de desconfinamento, a partir de dia 1, não será adiada, diz Costa. Mas avisa que “se houver retrocesso na pandemia, terá de haver retrocesso das medidas”.