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É uma decisão pioneira nos Estados Unidos da América: a Califórnia tornou-se o primeiro estado norte-americano a anunciar que vai proibir a venda de “leaf blowers” — máquinas usadas para “soprar” folhas, afastando-as pela propulsão de ar — e de cortadores de relva que trabalhem alimentados a motor a combustível.

A lei que irá proibir a venda destes equipamentos, passando a permitir apenas a venda destas máquinas nos seus modelos elétricos, não entrará em vigor de imediato mas poderá tornar-se efetiva a partir de 2024, indica o The Wall Street Journal.

É uma medida inserida no esforço do estado para reduzir emissões carbónicas, mas não é consensual: de acordo com o mesmo jornal norte-americano, os críticos do projeto-lei defendem que ficar inteiramente dependente de equipamento elétrico que precisa de ser recarregado pode ser um obstáculo difícil de contornar para jardineiros profissionais.

No ano passado, este estado norte-americano tinha-se já comprometido a proibir a venda de carros movidos a gasóleo ou gasolina a partir de 2035.

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As outras medidas: brinquedos “sem género” e uma nova disciplina letiva

Esta não foi, porém, a única nova lei assinada pelo Governador da Califórnia, o democrata Gavin Newsom. Faz parte de um pacote de novas medidas “progressistas”, que incluem uma lei que exige a lojas de grande dimensão (com 500 ou mais empregados) que tenham para venda brinquedos de género neutro — que não sejam especificamente e assumidamente dirigidos a apenas rapazes ou apenas raparigas — e outra que exigirá a estudantes que frequentem uma cadeira de “estudos étnicos” durante o liceu.

A lei que exigirá a lojas de grande dimensão e a grandes superfícies que (também) vendam brinquedos que sirvam quer a rapazes quer a raparigas entrará em vigor em 2024. Mesmo depois disso, as lojas em questão poderão continuar a vender brinquedos apenas para rapazes e apenas para raparigas, tendo apenas de assegurar uma oferta complementar de brinquedos “unissexo”. São destes últimos exemplos os puzzles ou os LEGOs, por exemplo .

O objetivo passa por reduzir os estereótipos de género associados aos rapazes e às raparigas, replicados em alguns brinquedos dirigidos a um só género em específico. Apesar disso, a oposição republicana ao Governador democrata tem-se manifestado contra a medida: segundo o The Wall Street Journal, argumenta que o Governo não deveria interferir e impor a lojistas privados decisões sobre que tipo de brinquedos devem vender.

Já a lei relativa à frequência de uma cadeira de estudos étnicos no ensino secundário deverá entrar em vigor em 2013. Trata-se de uma disciplina obrigatória, com duração de um semestre. A intenção passará por confrontar os alunos do estado da Califórnia com perspetivas históricas de grupos populacionais cuja história e passado, entende-se, não estão devidamente refletidos e abordados no material curricular letivo.