Se a Volkswagen marcar passo na transição para os veículos elétricos, esse atraso poderá colocar em risco 30 mil postos de trabalho. O aviso foi feito por Herbert Diess, o presidente-executivo da fabricante automóvel alemã, noticiou o jornal alemão Handelsblatt e confirmou a Reuters (acrescentando comentários adicionais por parte de um porta-voz). Diess indicou, nessa reunião com os membros do conselho de supervisão da Volkswagen, que para evitar esse cenário o grupo está a acelerar a transição para o fabrico de carros elétricos.

Um porta-voz confirmou, mais tarde à Reuters, que Herbert Diess se revê nesta análise porque a entrada no mercado alemão de novos fabricantes, como a norte-americana Tesla, está a colocar pressão acrescida sobre a Volkswagen. A Tesla, por exemplo, está a planear produzir 500 mil carros por ano na Alemanha, país onde emprega 12 mil pessoas. Em contraste, a Volkswagen emprega 25 mil pessoas na fábrica de Wolfsburgo, que prevê fabricar 700 mil carros (nenhum dos quais é elétrico).

“Não há dúvidas de que temos de resolver a questão da competitividade da nossa fábrica de Wolfsburgo, à luz da entrada de novos concorrentes”, confirmou um porta-voz da empresa, referindo-se não só à Tesla mas, também, a marcas chinesas que também estão no mercado de carros elétricos. Só a partir de 2026 a fábrica de Wolfsburgo irá começar a produzir veículos elétricos, um sedan movido a eletricidade que ainda não tem nome mas que está a ser desenvolvido ao abrigo do chamado “Project Trinity”.

O que significa “resolver a questão da competitividade”? O porta-voz não quis comentar: “Está em curso um debate interno e já existem muitas boas ideias. Mas não existem cenários concretos em cima da mesa”.

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