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Dois jovens, um de 15 anos e outro de 18, terão tentado roubar uma loja de roupa em Tibú, na Colômbia, uma vila perto da fronteira com a Venezuela, na passada sexta-feira, conta a imprensa local. Os dois rapazes foram imobilizados por pessoas que se encontravam nas imediações, tendo sido amarrados juntos com fita adesiva, segundo testemunhas citadas pelos meios de comunicação social colombianos como o El Tiempo.

Imagens de videovigilância mostraram que depois de terem sido amarrados, dois homens armados com pistolas, alegadamente de uma fação dissidente da FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), chegaram ao local em motas e levaram os rapazes. Horas mais tarde os cadáveres dos dois jovens foram descobertos numa estrada à saída da vila, com evidentes disparos na cabeça. O rapaz de 15 anos segurava, ainda, um bilhete escrito à mão onde estava escrita a palavra “ladrão”.

“Aqui a guerrilha diz sempre que se encarrega dos ladrões, aqui não há perdão para os infratores, por isso lhes colocam cartazes quando os matam. Essa é a mensagem que deixam à comunidade para que mais ninguém se atreva a roubar”, disse um habitante de Tibu ao El Tiempo.

Já foi confirmado que um dos rapazes, o mais novo, Alexánder José Fernandez, era da comunidade wayú, radicada no lado venezuelano —  os seus familiares reclamaram finalmente o seu corpo na terça-feira, noticiou o jornal colombiano El Tiempo.  O menor terá atravessado a fronteira há 14 meses, em busca de uma vida melhor, revelou ao El Colombiano uma autoridade local.  O outro adolescente também será do país vizinho pelo que o procurador-geral da Venezuela, Tarek Saab, ligou ao seu homólogo da Colômbia para pedir informações sobre o caso.

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Mas as autoridades venezuelanas não se ficaram por aqui. A vice-presidente executiva disse nesta quarta-feira que o Governo de Nicolás Maduro vai fazer uma queixa nas Nações Unidas pelo assassinato dos dois adolescentes.

A morte dos dois rapazes veio revelar que as ações de guerrilha não acabaram na Colômbia apesar do acordo assinado em 2016 entre o governa e as Farc, que terminou com mais de cinquenta anos de guerra civil.

Zonas como aquela onde fica Tibú, na região de Catatumbo, onde os agricultores, sem outro meio de sustento, cultivam folhas de coca, continuam a viver sob o medo. A situação atual, é muitas vezes pior do que a anterior, com grupos dissidentes da Farc e cartéis de droga a disputar o controlo do território com o exército colombiano, e impondo leis pesadas aos cidadãos que se encontram nestas regiões, lembra o The Guardian.

“Cada grupo armado em Tibú impõe o controlo através da violência, e as primeiras vítimas dos conflitos são sempre os mais desfavorecidos a nível social, ou que possuem registo criminal, problemas com o abuso de substâncias ou ainda os envolvidos na prostituição”, afirmou Wilfredo Cañizares, dirigente da Fundação Progesar, uma organização de direitos humanos da região citado pelo jornal britânico. “Este é o terceiro caso reportado no qual as pessoas estão a ser linchadas”, concluiu.

A polícia da Colômbia, que informou que os crimes foram cometidos por dissidentes  das Farc, ofereceu 100 milhões de pesos (cerca de 21 mil euros) de recompensa a quem trouxer informações que ajudem a capturar os assassinos, adiantou o El Tiempo.