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A Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou que há um surto de febre amarela em curso na Venezuela e aconselhou todos os viajantes internacionais com mais de nove meses a serem vacinados, pelo menos, 10 dias antes da viagem — ainda que as autoridades venezuelanas não exijam o certificado de vacinação aos viajantes.

Desde agosto deste ano que foi identificado um número crescente de casos de febre amarela entre as populações humanas e de primatas na região — o que indica uma grande circulação do vírus.

O surto foi identificado numa localidade rural, no município de Maturín, estado de Monagas. Este estado é o segundo com pior cobertura da vacina contra a febre amarela — 67,7% da população vacinada —, enquanto cinco dos 10 estados venezuelanos já vacinaram 100% da população. O esquema vacinal recomendado é de uma dose.

Assim, uma larga percentagem da população do estado de Monagas continua em risco de ser infetada com o vírus transmitidos pelos mosquitos HaemagogusSabethes, nas zonas rurais e florestais, e Aedes aegypti, nas zonas urbanas. A infeção provoca uma febre hemorrágica e não tem cura.

Para agravar a situação, a Venezuela está, neste momento, entre os oito países americanos com maior número de novos casos de infeção com SARS-CoV-2. A pandemia comprometeu os sistemas de saúde já de si frágeis e diminuiu a capacidade de vacinar a população contra a febre amarela. Ter os dois vírus em circulação ao mesmo tempo só vai dificultar o controlo de qualquer um deles.

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