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Josep Maria Bartomeu andou na manhã desta sexta-feira algo atarefado por Barcelona, desdobrando-se em entrevistas nos principais jornais desportivos da cidade: Sport, Mundo Deportivo e L’Esportiu. Numa altura em que o clube que presidiu entre 2014 e 2020 apresenta uma crise desportiva e financeira, sendo a sua gestão acusada de ter sido “nefasta” para o Barcelona, de acordo com uma auditoria feita ao clube que é agora liderado, mais uma vez, por Joan Laporta, que tem sido também muito, muito crítico de Bartomeu.

Meses depois, a notícia maior do Barça ainda é provavelmente a saída de Messi, que Laporta justificou com motivos de ordem financeira, algo de que Bartomeu discorda um pouco, falando até em discurso “alarmista” e que a sua direção fez um trabalho “responsável e sério”: “O clube não está em risco. É viável e tem muitos recursos. Estão a criar um discurso alarmista. As perdas causadas pela Covid-19 não vão levar o clube à falência porque o Barcelona tem ativos de jogadores, bens patrimoniais e digitais.”

“A nossa gestão não foi nefasta e é isso que dizem a liga espanhola, a UEFA e os auditores. Com 180 milhões de receitas e com a Forbes a classificar-nos como o clube mais valioso do Mundo. Essa gestão séria e rigorosa acabou por ser traída pelo aparecimento da pandemia, que levou a uma quebra das receitas na ordem dos 500 milhões”, acrescentou, garantindo ainda que ninguém da sua direção roubou dinheiro ao clube. “Não poderíamos esconder isso porque depois de tantos meses já se saberia”, frisou.

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Bartomeu garante também que ninguém da sua direção tirou dinheiro do clube. “Não tenho medo, ninguém da minha direção meteu as mãos na caixa. É uma coisa que não poderíamos esconder e depois de tantos meses já se saberia. Podem dizer o que quiserem”.

E a sua direção, diz, impediu Leo Messi de sair logo em 2020, visto “pensar que era imprescindível”, não só por ser o “melhor jogador do mundo, como também a nível económico e institucional”. “É um erro deixar sair Messi”, disse Bartomeu ao Mundo Deportivo, esclarecendo ainda que “devem perguntar-lhe [Messi]” o porquê de o argentino querer sair na altura. “Messi queria sair do clube, mas falámos e eu disse-lhe que não, porque sempre pensei que era importante para o clube e seria grave se saísse, como creio que aconteceu agora. Disse-lhe que se quisesse fazer como Xavi ou Iniesta, ir para o Qatar, a China ou os EUA, que nos entenderíamos e lhe faríamos uma homenagem e despedida. Mas Messi não tinha equipa e queria ficar livre. Dissemos-lhe que queríamos que o Barcelona fosse o seu último clube na Europa. Nós dizíamos para ele ficar, mas ele queria sair, mas sem saber para onde. Perguntava-lhe sempre para onde queria ir”, explicou o ex-dirigente.

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Bartomeu, que se viu envolvido no Barçagate, revelou ainda que rejeitou, em 2020, uma proposta de 150 milhões de euros de um clube inglês por Ansu Fati, explicou ainda a lógica dos prémios previstos nos contratos de alguns jogadores. Alguns destes prémios, ou bónus, normalmente de lealdade e permanência, subiam com o decorrer dos anos: “É normal. Se colocas prémios de lealdade a serem pagos logo após o mercado de transferências é um aliciante para os jogadores ficarem. E não é por ser mais velho ou mais veterano. Os valores são crescentes porque cada ano que passa o clube recebe mais. É normal. Mas em março de 2020 ninguém sabia que ia surgir uma pandemia que ia reduzir as receitas de forma estrondosa. Foi algo incontrolável”.

Com algumas contratações sonantes a não darem rendimento, como Coutinho, a terem já saído, como Griezmann, ou a estarem muitas vezes lesionados, como Dembélé, Bartomeu, questionado diretamente sobre a transferência de Griezmann, disse que “sempre houve planificação, sobretudo com ele”. Diz-se que foi pedido um crédito pelo clube no dia antes à contratação do avançado francês, agora regressado ao Atl. Madrid, mas Bartomeu nega. “Não sei se foi um dia, ou dois ou três antes. Mas tenta-se o mais tarde possível para pagar menos juros. Estou seguro que foi vários dias antes”, frisou.

Já ao Sport, sobre o treinador Ronald Koeman, que trouxe para Barcelona, diz que “chegou ao clube num momento complicado, depois de uma derrota dolorosa”. “Koeman está preparado mas é preciso paciência para que construa uma equipa sem a presença do melhor jogador do mundo. Creio que o plantel tem muito talento, sobretudo jovem. Temos de ganhar o campeonato e a Taça do Rei, porque temos equipa”, garantiu.

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