Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

A atividade da pandemia em Portugal mantém-se com intensidade reduzida, mas a tendência deixou de ser decrescente e passou a estável, lê-se no mais recente relatório de monitorização das linhas vermelhas da pandemia, da responsabilidade da Direção Geral da Saúde e do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA). Entre a população mais vulnerável acima dos 80 anos, a tendência passou a ser crescente. 

Já a pressão nos serviços de saúde está reduzida e a influência na mortalidade encontra-se estável (embora tenha subido 18%), segundo o relatório semanal que revela ainda que o R(t) subiu em todas as regiões, e está igual ou acima de 1 na maioria delas.

Fonte: DGS/INSA

Maior incidência é entre as crianças e os jovens dos 20 aos 29 anos

Estão empatadas nos 117 casos por 100 mil habitantes a 14 dias. Em Portugal, são duas as faixas etárias — entre os zero e os 9 anos e entre os 20 e os 29 anos — em que a taxa de incidência está mais elevada. Apesar de estar em queda, entre as crianças esta é a terceira semana consecutiva que a sua faixa etária apresenta os valores mais elevados deste indicador.

Pelo contrário, entre os jovens adultos assiste-se a uma subida e é a mais alta deste relatório: entre os 20 e os 29 anos, a taxa de incidência subiu 22% numa semana. Logo a seguir nas subidas, estão os mais idosos, acima dos 80 anos, com um aumento de 14%, atingindo os 113 casos por 100 mil habitantes.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

No país, a incidência cumulativa a 14 dias era, a 13 de outubro, de 84 casos por 100 mil habitantes em Portugal.

Um outro indicador está em subida, mas não o suficiente para mudar de padrão. O valor de 9,2 óbitos em 14 dias por 1 milhão de habitantes revela um aumento de 18% na mortalidade específica por Covid-19 em relação à semana passada (7,8). Apesar disso, o relatório das linhas vermelhas da pandemia defende que este indicador mostra uma tendência estável nas últimas semanas.

Assim, a DGS e o INSA consideram que há um impacte reduzido da pandemia em termos de mortalidade específica, já que o valor é inferior ao limiar de 20,0 óbitos em 14 dias por milhão de habitantes, definido pelo Centro Europeu de Controlo de Doenças, e ao limiar nacional de 10,0 óbitos.

R(t) acima de 1  no Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo

Outra revelação do relatório semanal é que a taxa de incidência das infeções por SARS-CoV-2 está a aumentar em todas as regiões. A semana passada, o R(t), que mede a transmissibilidade da doença, só mantinha tendência crescente no Alentejo e, nessa altura, o número de reprodução efetivo era de 0,92 a nível nacional e de 0,91 no continente. Agora sobe para 1,00 em ambos os casos.

Analisando região a região, vê-se que os valores sobem em todo o continente: no Norte passou de 0,90 para 0,97; no Centro de 0,98 para 1,05; em Lisboa e Vale do Tejo aumentou de 0,89 para 1,02; no Alentejo passou de 1,05 para 1,06 e, por último, no Algarve subiu de 0,83 para 0,85.

Estes resultados sugerem uma inversão da tendência (agora crescente) nas regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo, revela o relatório, enquanto que nas regiões Norte e Algarve há estabilização.