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Um dérbi lisboeta, é verdade, mas também um dos jogos maiores do futebol nacional. E foi a Taça de Portugal, na sua famigerada festaque trouxe esta sexta-feira ao Estádio do Restelo o Sporting, para defrontar o Belenenses. O 249.º jogo entre os dois clubes seria então com os emblemas em condições completamente díspares: os leões como campeões nacionais e os azuis de Belém no penúltimo lugar da Série E do Campeonato de Portugal.

Rúben Amorim, que voltava a um estádio que bem conhece, visto ter feito mais de 100 jogos ao serviço do Belenenses antes do salto para o Benfica, deu antes do jogo uma notícia há muito esperada pelos adeptos do Sporting e, provavelmente, por ele próprio. É que Pedro Gonçalves estaria já disponível para voltar a jogo, após quase mês e meio de ausência do grande goleador leonino, e o timoneiro verde e branco confirmou a presença do jogador no onze. No entanto, avisou: “A equipa não está dependente do Pedro Gonçalves. É mais forte com o Pote, que tem características únicas e vinha de um bom momento. E isso tem mais impacto, porque ele vinha a marcar muitos golos. Agora, a equipa do Sporting não está dependente do Pedro Gonçalves”.

Amorim recordou ainda que o Sporting “tem vindo a ganhar” sem Pote, exceto na Liga dos Campeões, mas admitiu também que não sabe se “ganharia aqueles jogos” com o avançado”. Assumiu também, no entanto, que o regresso do melhor marcador da I Liga em 2020/21 “é uma boa notícia”, também “pelo espírito que dá à equipa”, pela “forma muito divertida com que se apresenta nos treinos” e ainda “pela qualidade que tem”. “Essas características são essenciais numa equipa e, obviamente, que sentimos a falta do Pedro Gonçalves. Agora, ele tem de lutar e ganhar o lugar dele. E estamos felizes. Somos claramente mais fortes com o Pedro Gonçalves”, acrescentou.

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Com um ambiente fantástico e que só veio a melhorar com o decorrer da primeira parte, ainda estavam certamente algumas pessoas por entrar, não que isso tenha feito diferença aos jogadores, que não esperam por ninguém, quando apareceu o 0-1. No mesmo sentido, não foi por ter aparecido o 0-1 logo aos 2′, por intermédio de Tiago Tomás, a colocar o campeão nacional Sporting a vencer logo no arranque, que os adeptos do Belém deixaram de cantar, saltar e gritar como se o resultado estivesse totalmente diferente. Igualmente, os adeptos leoninos também não se calavam, no melhor sentido que isso pode ter no futebol atual.

O Sporting entrava a todo o vapor e, para seu bem, baralhava as contas ao jogo. Quando se esperava que os primeiros minutos fossem de um Belenenses a tentar resistir, e talvez até a conseguir resistir o máximo de tempo possível, os leões desmancharam as esperanças iniciais dos da casa. Pedro Gonçalves, o tal, desceu no terreno, recebeu, virou e desmarcou Vinagre na esquerda. O lateral esquerdo leonino colocou na área, Jovane Cabral não conseguiu fazer golo, mas estava lá Tiago Tomás que se limitou a colocar o pé para fazer golo.

A verdade é que as diferenças entre ser campeão nacional e estar na quarta divisão ainda são visíveis e o Sporting ao intervalo ficava a dever vários golos a si e aos seus adeptos, mesmo que João Virgínia, em estreia na baliza da equipa de Rúben Amorim, tenha sido obrigado a sair da área uma vez. De resto, depois de Feddal rematar por cima na cara do golo, o jogo resume-se a um nome: Marcelo Valverde. O guarda-redes do Belenenses negou golos a quem quer que fosse aparecendo. Nem Pedro Gonçalves, nem Tiago Tomás, nem Gonçalo Inácio. Ninguém voltaria a desfeitear o guardião brasileiro na primeira parte, que assinou assim uma exibição de grande nível.

Qualidade tiveram também as equipas no início da segunda parte onde o jogo, muito provavelmente sem agradar muito a Rúben Amorim, acabou por partir o suficiente para o Belenenses ter alguma bola, um pontapé de canto, festejado pela bancada como se fosse quase um golo, e uma jogada de perigo em que Clé procurou finalizar após cruzamento de Araújo. Quem também mostrou estar ainda na mesma senda? Marcelo Valverde, que aos 51′ negou o bis a Tiago Tomás e viu, nos minutos seguintes, bolas de Rúben Vinagre, Pedro Gonçalves e Gonçalo Esteves passarem perto dos seus postes.

O Sporting demoraria depois a chegar novamente à baliza azul, mas quando chegou foi para Tiago Tomás bisar no encontro, aos 66′. Pontapé de canto marcado por Nuno Santos, a defesa da casa parou e Feddal cabeceou para perto da baliza, com TT a atirar-se em mergulho e a marcar de cabeça.

Depois, o jogo ficou incaracterístico… Pedro Porro saltou do banco e não esteve muitos minutos em campo, saindo lesionado e muito queixoso após uma entrada dura de André Frias. Logo a seguir, dois penáltis (terceiro e quarto golos): um marcou Jovane e o outro marcou Nuno Santos, após falta sobre Tiago Tomás de… André Frias, que viu segundo amarelo, consequente vermelho e esteve também poucos minutos em campo.

O marcador não mexeria mais, mesmo que os jogadores do Sporting aparecessem que nem setas perto da área dos azuis e perto o guarda-redes Marcelo Valverde que, só não foi o homem do jogo porque Tiago Tomás fez dois golos, ganhou um penálti e foi sempre uma dor de cabeça. Por falar em dores de cabeça, resta ainda saber o que se passará, ou não, com Pedro Porro.

De resto, Rúben Amorim disse que o Sporting é candidato à Taça e viu a sua equipa comportar-se como tal. Do lado da equipa da casa, não é este o seu campeonato, a nível de ritmo competitivo, mas a nível de luta e, sobretudo, no que toca à exibição dos seus adeptos, a coisa está ao mais alto nível.

O leão desloca-se agora à Turquia para defrontar o Besiktas na terça-feira.