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Nem durante o fim de semana o PCP se inibe de vir a público criticar a proposta de Orçamento do Estado que o Governo apresentou na Assembleia da República. Jerónimo de Sousa foi até à escola Secundária Carolina Michaelis, no Porto, para um comício onde apontou, mais uma vez, as áreas em que o Orçamento falha, na perspetiva dos comunistas.

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Considerando que o Orçamento do Estado dá “respostas marginais determinadas e condicionadas pelos dogmas do tratado orçamental que o Partido Socialista toma como seus”, Jerónimo de Sousa acusa o Governo de usar “critérios anacrónicos em relação ao país e à divida”, que estão “longe da necessidade” do país.

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É uma “política das contas certas que o Partido Socialista teima em dar vida para justificar o adiamento de soluções dos problemas do país, mas que nunca invoca quando se trata de dar cobertura aos desmandos e negócios ruinosos do capital e da banca ou para cortar o passo à engenharia fiscal e de fuga ao fisco ou aos grandes senhores do dinheiro”, apontou Jerónimo de Sousa, exemplificando com os “mais de 6.800 milhões de euros” que saíram para paraísos fiscais em 2020 e que seriam suficientes para “aplicar numa rede pública de creches”.

Jerónimo de Sousa acusou ainda o Governo de “não afrontar seriamente os grandes lucros e património”, optando por “adiar” a “justiça fiscal” e, com isso, “privar o Estado de milhares de milhões de euros”. Como está, o Orçamento não passa, volta a garantir Jerónimo e deixa claro: “o que são precisas são soluções e respostas, não invocações de crises políticas”.

“Considerando a resistência do Governo até este momento em assumir compromissos em matérias importantes além do orçamento apresentado, ela conta hoje com a nossa oposição com o voto contra do PCP”, sublinhou Jerónimo lembrando que quem conhece o PCP sabe “que não diz não porque não” e que “até à votação na generalidade ainda é tempo de encontrar soluções”.

Tempo de ainda verificar se o Partido Socialista e o Governo recusam em definitivo os compromissos que permitam sinalizar o caminho e a resposta que o país e a vida dos trabalhadores e do povo reclamam e as soluções que no Orçamento do Estado e além dele devem ser concretizadas. A dimensão dos problemas do país e as soluções que lhe correspondem não se resolvem com dramatizações ou agigantar das dificuldades sobre o futuro como se quer fazer crer“, disse.

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