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Quando há problemas, é só chamar André Almeida, o faz-tudo que até já faz golo (a crónica do Trofense-Benfica)

Começou adaptado a central, foi lateral esquerdo depois da lesão de Lázaro e acabou a lateral direito para render Gilberto: André Almeida foi o faz-tudo da vitória difícil do Benfica com o Trofense.

O lateral dos encarnados marcou o golo da vitória já no prolongamento
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O lateral dos encarnados marcou o golo da vitória já no prolongamento

LUSA

O lateral dos encarnados marcou o golo da vitória já no prolongamento

LUSA

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Em 2008/09, o Trofense chegou pela primeira vez à Primeira Liga. Pela mão de Manuel Tulipa, a equipa da Trofa não conseguiu manter-se no principal escalão do futebol português e acabou por cair novamente no final da época. Ainda assim, ao longo desse ano, deixou resultados positivos para trás e um historial de tomba-gigantes: empatou no Dragão, empatou na Luz e venceu mesmo o Benfica em casa, surpreendendo uma equipa de Quique Flores que tinha Di María, Aimar, David Luiz e Cardozo. De lá para cá, Trofense e Benfica não voltaram a encontrar-se. Até este sábado.

Mais de uma década depois dessa história vitória na Trofa, o Trofense voltava a receber o Benfica. Desta feita, o propósito era a terceira eliminatória da Taça de Portugal e o contexto era outro: se os encarnados permanecem naturalmente na Primeira Liga, o Trofense já andou pelo Campeonato de Portugal e só esta época conseguiu voltar à Segunda Liga. Nada que permitisse a Jorge Jesus encarar a partida com leviandade.

Ficha de jogo

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Trofense-Benfica, 1-2 (após prolongamento)

Terceira eliminatória da Taça de Portugal

Estádio do Clube Desportivo Trofense, na Trofa

Árbitro: António Nobre (AF Leiria)

Trofense: Rodrigo, Lionn (Bruno Moreira, 68′), João Paulo, João Faria, Caio (Simão Martins, 90+5′), Tiago André (Andrezinho, 101′), Vasco Rocha, Matheus, Bruno Almeida (Rodrigo Ferreira, 90+5′), Diédhiou (Achouri, 6′), Pachu (Keffel, 90+5′)

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Suplentes não utilizados: Rafael

Treinador: Rui Duarte

Benfica: Helton Leite, André Almeida, Vertonghen, Morato, Gilberto, Meïté (Weigl, 82′), Taarabt (João Mário, 82′), Gil Dias (Lázaro, 31′, Ferro, 51′), Pizzi (Radonjic, 90′), Everton, Gonçalo Ramos (Yaremchuk, 82′)

Suplentes não utilizados: Svilar

Treinador: Jorge Jesus

Golos: Everton (22′), Pachu (80′), André Almeida (94′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Meïté (24′), a Lázaro (50′), a João Faria (90+3′), a Bruno Moreira (90+3′), a João Paulo (102′), a Everton (110′), a Helton Leite (111′), a Radonjic (90+2′)

“O saldo com o Trofense, um empate e uma derrota, é a história dos resultados e ninguém pode dizer que não é verdade. Tudo é diferente, os anos vão passando, as equipas são diferentes das dessa altura. A equipa está avisada de que este será um jogo competitivo. Os nosso avisos aos jogadores não passam por aí, que o Benfica já perdeu com o Trofense, mas pela forma como trabalhamos durante a semana. A equipa está com andamento e competitividade. Jogando contra o Trofense ou o Barcelona, o Benfica mantém o mesmo andamento”, explicou o treinador encarnado, que não podia contar com os internacionais sul-americanos, Otamendi, Lucas Veríssimo e Darwin, e também não convocava Vlachodimos, Grimaldo, Diogo Gonçalves, Rafa e Gedson.

O Benfica iniciava o percurso na Taça de Portugal depois da pausa para os compromissos das seleções, depois da primeira derrota da temporada imposta pelo Portimonense na Luz e ainda na antecâmara da receção ao Bayern Munique, na próxima quarta-feira, para a Liga dos Campeões. Assim, e contra uma equipa que leva três jornadas sem ganhar na Segunda Liga, Jesus fazia as expectáveis alterações ao onze inicial e lançava Helton Leite na baliza, Gilberto na direita da defesa e Gil Dias no lado contrário, Morato junto a Vertonghen e ao adaptado André Almeida, Meïté e Taarabt no meio-campo e Everton e Pizzi no apoio mais direto a Gonçalo Ramos. Do outro lado, Rui Duarte, que levou o Trofense às eliminações do Sp. Covilhã e do Pevidém nas rondas anteriores, devolvia a titularidade ao avançado Diédhiou e contava principalmente com a qualidade de Bruno Almeida, o melhor jogador do Campeonato de Portugal na época passada.

O jogo começou praticamente com uma contrariedade para o Trofense. Numa bola dividida com Vertonghen, Diédhiou ficou lesionado e não conseguiu recuperar, sendo substituído por Achouri ainda dentro dos primeiros 10 minutos. O Benfica aproximou-se pela primeira vez da baliza de Rodrigo Moura por intermédio de Pizzi, que apareceu na direita a cruzar rasteiro à procura de um desvio, mas a defesa da casa conseguiu aliviar (7′). Do outro lado, Meïté e Helton Leite desentenderam-se na abordagem a um passe longo e quase permitiram o golo de Bruno Almeida (12′), numa jogada em que teve de ser Vertonghen a resolver o problema.

Numa primeira parte discutida num ritmo intenso e muito interessante, o Trofense acabou por surpreender pela forma como se apresentou em campo. A equipa de Rui Duarte não defendia em bloco baixo, aplicava uma pressão médio-alta e tinha uma reação à perda da bola eficaz, recuperando muitas vezes a posse na zona do meio-campo. Aí, Bruno Almeida ia causando muitos problemas a Meïté, com o médio francês a ter dificuldades para parar a mobilidade e criatividade do número ’10’ do Trofense. Pachu, muito possante fisicamente, ia incomodando Morato e Vertonghen e Achouri entrou bem na partida, explorando principalmente a profundidade nas costas da defesa. Foi assim, aliás, que o conjunto da Segunda Liga acabou por conseguir pôr a bola no fundo da baliza: Bruno Almeida desequilibrou no corredor central e tirou um passe de rotura perfeito, com Achouri a bater Helton Leite à saída do guarda-redes com um remate em jeito (16′). O lance, porém, foi anulado por fora de jogo do avançado.

O momento serviu de alerta para o Benfica, que até aí estava algo passivo e displicente na forma como desenvolvia o ataque. Rodrigo Moura evitou o golo dos encarnados com duas defesas na mesma jogada, primeiro a um remate de Everton e depois à recarga de Meïté (20′), mas a organização defensiva do Trofense não aguentaria muito mais. Praticamente no lance seguinte, depois de uma variação de jogo de Meïté, Gil Dias assistiu Everton e o brasileiro, num movimento mais do que característico, foi da esquerda para o meio para atirar forte de fora de área e abrir o marcador (22′). Everton estreou-se a marcar esta temporada, o Benfica estreou-se a marcar no estádio do Trofense.

Depois do golo, o Benfica conquistou algum controlo sobre as ocorrências e até poderia ter aumentado a vantagem. Everton rematou ao lado (32′), Taarabt também (36′), Gonçalo Ramos atirou fraco para as mãos de Rodrigo Moura (39′) e João Pedro evitou o golo de Vertonghen de cabeça ao tirar em cima da linha (41′). Depois de Rui Duarte, também Jorge Jesus foi forçado a realizar a primeira substituição, já que Gil Dias apresentou queixas musculares e saiu para entrar Lázaro. Pelo meio, o guarda-redes do Trofense protagonizou um momento extraordinário ao conseguir fazer uma defesa impossível a um remate de fora de área de Taarabt (45′): o médio marroquino atirou forte, a bola foi desviada no caminho e Moura, quando já estava totalmente tombado para um dos lados, evitou o golo com um movimento acrobático com o pé.

Acrobacias à parte, o Benfica foi para o intervalo a vencer pela margem mínima e, apesar de ter criado várias oportunidades para ter uma vantagem mais confortável, existia a ideia de que o Trofense ainda poderia surpreender. A equipa de Rui Duarte não baixou as linhas depois de sofrer o golo e continuava a criar perigo principalmente a partir da exploração da profundidade pelas alas e das bolas paradas, onde o central João Pedro tentava sempre finalizar ao segundo poste.

[Carregue nas imagens para ver alguns dos melhores momentos do Trofense-Benfica:]

A segunda parte começou sem alterações e com um lance de perigo do Benfica, onde Gonçalo Ramos chegou ligeiramente atrasado para fazer o desvio ao segundo poste depois de um cruzamento de Pizzi na esquerda (48′). Pouco depois, a maldição do corredor esquerdo dos encarnados voltou a atacar: Lázaro, que tinha voltado de lesão depois de se ter magoado contra o Barcelona, também sentiu dores musculares e acabou por dar o lugar a Ferro.

Embora o Benfica tivesse sempre mais bola e o aparente controlo das situações, o jogo caiu ligeiramente de qualidade e intensidade no segundo tempo, com as equipas a terem menos aproximações às balizas adversárias e a partida a ser muito discutida na zona do meio-campo. Se o Trofense ia tentando aproveitar o adormecer das dinâmicas para procurar surpreender, o Benfica queria resistir a isso mesmo para descansar no encontro. Achouri ficou perto de empatar depois de um erro de Taarabt, que errou um passe e permitiu o remate ao lado do avançado (58′), e Jorge Jesus não esperou mais para lançar a artilharia pesada. Weigl, João Mário e Yaremchuk saíram todos do banco e motivaram as saídas de Meïté, Taarabt e Gonçalo Ramos e a tarefa do Trofense tornou-se ainda mais complicada.

Com a tripla entrada de habituais titulares no Benfica, frescos e com a responsabilidade de garantir a vitória, a equipa de Rui Duarte foi recuando e abdicando cada vez mais de atacar, totalmente estagnada pela pressão alta e eficaz dos encarnados e sem ligação entre os setores. A presença de João Mário e Weigl no meio-campo impedia todas as tentativas de contra-ataque e os encarnados, mesmo sem tanta presença no último terço, pareciam atravessar o período de maior controlo no jogo.

O problema é que, no futebol, tudo isso pode significar um enorme nada. João Mário perdeu a bola no corredor central, Bruno Almeida abriu em Tiago André na esquerda e o médio cruzou tenso para a grande área, onde Pachu apareceu entre Morato e André Almeida a cabecear para empatar (80′). De um momento para o outro, o Trofense relançava uma eliminatória que já parecia encerrada e que o Benfica nunca conseguiu agarrar com mais golos. Até ao fim do tempo regulamentar, Gilberto ainda teve uma grande oportunidade, ao rematar na área para mais uma defesa de Rodrigo Moura (90+7′), mas já nenhuma das equipas conseguiu evitar o prolongamento.

No arranque do prolongamento, Jorge Jesus tirou Pizzi e lançou Radonjic. O jogo manteve aparentemente as dinâmicas que tinham ficado dos 90 minutos mas, nos primeiros instantes do tempo suplementar, até foi o Trofense a assumir alguma iniciativa, aparecendo com frequência no último terço adversário. O Benfica, porém, só precisou de uma oportunidade para fazer a diferença: Weigl tirou um passe longo e oportuno para as costas da defesa e André Almeida, descaído na esquerda, apareceu totalmente isolado a bater Rodrigo Moura à saída do guarda-redes (94′).

O treinador do Trofense foi expulso na sequência do golo, porque protestou veementemente a existência de alegado fora de jogo de André Almeida, mas a equipa da Segunda Liga manteve a tripla substituição que já tinha preparada quando o jogo ainda estava empatado e Keffel, Rodrigo Ferreira e Simão Martins entraram em campo. Já sem alterações disponíveis, Jorge Jesus teve em Gilberto o principal problema do prolongamento, já que o brasileiro sentiu muitas dificuldades físicas e o Trofense, oportunamente, tombou todo o ataque para o lado esquerdo.

O Benfica foi para o intervalo do prolongamento a vencer, período em que Gilberto foi assistido pela equipa médica para ainda tentar aguentar o quarto de hora final, e passou a segunda parte a proteger o brasileiro e a empurrar o Trofense para o corredor central. Nos últimos instantes, Gilberto teve mesmo de passar para uma posição mais adiantada, com André Almeida a assumir a direita da defesa e Everton a recuar para lateral esquerdo, mas a equipa de Jorge Jesus conseguiu mesmo segurar a vantagem e carimbar o passaporte para a fase seguinte da Taça de Portugal.

O Benfica venceu mas sofreu muito, demasiado e mais do que aquilo que esperava: principalmente se tivermos em conta que Vertonghen, João Mário, Weigl, Yaremchuk e Everton se desgastaram bem mais do que o desejável, que Lázaro e Gil Dias saíram lesionados e que tanto Gilberto como Morato acabaram o jogo quase sem conseguir correr. E na quarta-feira, como se sabe, há jogo na Luz contra o Bayern Munique. Ainda assim, contra o Trofense, valeu André Almeida — o faz-tudo que começou adaptado a central, foi lateral esquerdo depois de Lázaro sair lesionado e acabou a lateral direito para render Gilberto.

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