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Paulo Portas criticou esta noite os dois maiores partidos da direita, que diz estarem a “entregar” a sua estratégia ao primeiro-ministro. No espaço de comentário semanal na TVI, o antigo líder do CDS comentou a ameaça de crise política e falou na “tentação” de António Costa de poder querer provocar eleições antecipadas com o PSD e o CDS no estado atual.

“Um partido político da oposição não entrega ao primeiro-ministro a sua estratégia”, afirmou num comentário à decisão de Rui Rio de tentar adiar calendários internos e ao facto de também Francisco Rodrigues dos Santos ter admitido, em teoria, que em caso de eleições antecipadas o partido poderia analisar essa questão. “Fiquei pasmado”, disse Portas.

Para Portas, “no dia me que a oposição entregar ao primeiro-ministro a definição dos seus próprios calendários e tarefas o melhor é concluirmos que não temos oposição”, atirou ainda.

Quanto ao chumbo do Orçamento, Portas considera que, por agora, é uma ameaça, e concorda com Pedro Reis (ex-presidente da AICEP) quando este fala neste momento político como “uma coreografia de época”. O ex-líder do CDS aponta, no entanto, recentes declarações do Presidente da República sobre o impasse na aprovação do Orçamento, destacando que “não se aproximam tempos fáceis para a economia internacional” o que tem “impacto” sobre a economia portuguesa. E que perante isto, “quando chegam as maiores dificuldades, partidos com a natureza do BE e do PCP tendem a por-se ao fresco”.

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Por fim, Portas aponta para o peso da despesa primeira na riqueza do país, que já representa entre 42,5% e 43,5%. “Não criamos riqueza suficiente para financiar este nível de despesa primaria do Estado”, avisa o democrata-cristão.

Quanto a António Costa, Portas diz que “nunca o subestimaria”, nomeadamente a sua eventual “tentação” de precipitar eleições pelas razões já referidas. E diz que, mesmo que o Orçamento passe na primeira votação parlamentar (a generalidade, que é dia 27 de outubro), “na especialidade podem dar-se as coligações negativas com maior facilidade”.