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Com dez jornadas da Ligue 1 disputadas, o PSG leva nove vitórias e uma derrota, que aconteceu antes da paragem para as seleções, frente ao Rennes. Os 27 pontos permitem algum conforto na liderança do Campeonato, ainda que Marselha (17 pontos) e Nice (16) tenham menos um jogo, e dão ao treinador Mauricio Pochettino margem de manobra relativamente ao plantel,  mesmo que este seja um dos mais talentosos. Sérgio Ramos, por exemplo, ainda não fez qualquer jogo desde que chegou a Paris, o próprio Messi já esteve parado e, como em qualquer equipa, ninguém está livre de lesões ou expulsões.

O problema, mesmo para um plantel como o do PSG, é que normalmente na Liga dos Campeões os adversários são mais fortes do que os da Liga francesa e a tal margem de manobra cai um pouco, mesmo para quem consegue ter Messi, Mbappé e Neymar ao mesmo tempo. O trio “MNM” estreou-se até na Champions, frente ao Club Brugge, e não foi além de um empate na Bélgica, mostrando alguma falta de entrosamento – alocar Messi do nada numa equipa pode não ser fácil –, e ausência de ritmo competitivo. A resposta frente ao Manchester City foi diferente, com uma boa vitória por 2-0, mas passadas semanas de Campeonato e pausa de seleções, era sempre uma incógnita ver como é que o PSG recebia o RB Leipzig, uma equipa que merece desconfiança apesar dos zero pontos conquistados até ao momento.

Além de Sérgio Ramos, não estavam disponíveis Di Maria (expulsão) e Paredes (lesão) e Keylor Navas era uma dúvida (mas jogou, ao invés de Donnarumma).

E sendo o PSG uma equipa que até sofre alguns golos, precisava muito provavelmente de um ataque ao seu melhor nível e para isso não contribui nada a ausência de Neymar. O brasileiro de 29 anos, que até causou um susto ultimamente por dizer que o Qatar 2022 era o seu último Mundial, veio da seleção do seu país com queixas nos adutores e falhava o jogo desta noite para “prolongar o tratamento por mais alguns dias antes de regressar normalmente à equipa”, referiu o clube no boletim médico. “É um pequeno problema, espero que demore poucos dias. A decisão é médica. Se um jogador vai ao relvado é porque temos autorização da equipa médica. Esteve no treino e sentiu algo que não o deixou terminar. Não brincamos com a saúde dos jogadores”, disse Pochettino sobre o facto de o jogador ainda ter treinado.

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Falta Neymar, ok, entraria talvez Icardi… mas não.

É que Mauro Icardi não treinou os últimos dias porque, segundo indicam várias publicações internacionais, está envolvido em problemas com Wanda Nara, a sua mulher e empresária, que também costuma andar envolta em polémicas.  “Ele tem um problema pessoal e não treinou. Estará convocado, mas vamos ver quando ele voltar”, afirmou Pochettino, sem quaisquer garantias sobre a sua utilização.

Com a ausência certa de Neymar e a mais que certa ausência de Icardi, o PSG bem que precisava de alguém que entrasse para a frente de ataque. E, andasse o calendário 15 anos para trás, a pessoa certa estava na bancada. É que Ronaldinho foi o convidado de honra do PSG para o encontro desta terça-feira de Liga dos Campeões, marcando assim presença no Parque dos Príncipes. Podia tratar-se de uma visita apenas, mas com Ronaldinho, também ele sempre polémico, nada poderia ser “apenas”, tal como não fazia “apenas” fintas, golos ou assistências. É que, como lembrou esta manhã o Sport, o brasileiro é embaixador do Barcelona e, por conseguinte, é pago pelo clube que perdeu Messi para o PSG, vendeu para lá Neymar e tentou resgatá-lo de novo sem sucesso. Além de transferências e quase transferências (Wijnaldum também estava “certo” no Barça e rumou a Paris), as equipas estão agora habituadas a defrontarem-se em fases adiantadas da Liga dos Campeões, o que também tem contribuído para esta nova rivalidade.

Para continuar esta rivalidade convinha ao PSG ganhar esta terça-feira e Pochettino lançou Nuno Mendes logo de início. As coisas até começaram bem, com um golo de Mbappé logo aos 8′, na rapidez de movimentos usual, muito provavelmente com Ronaldinho a gostar do estilo, mas o RB Leipzig empataria por volta dos 30 minutos e por um goleador português: André Silva.

Já no segundo tempo, à beira da hora de jogo, o Parque dos Príncipes gelou e Angelino fez nova assistência, desta vez para o golo de Mukiele, que consumou a reviravolta alemã. Esta vantagem, no entanto, só durou dez minutos, quando uma perda de bola recuada do RB Leipzig a colocou nos pés de Mbappé que, quando se esperava o remate, assistiu Messi, que primeiro acertou no poste e depois, com a bola a andar em cima da linha, foi lá confirmar o empate (2-2). Por esta altura, já Danilo tinha entrado nos parisienses.

O momento do jogo estava guardado para pouco depois. Mbappé ganhou um penálti e de imediato apontou para Messi. O argentino, chamado a bater, cara a cara com Gulacsi, não tem problemas nenhuns em aplicar um penálti à Panenka num momento de grande pressão para gáudio dos adeptos e para um sorriso apanhado pelas câmaras de… Ronaldinho. Ele que viu “nascer” Leo para o futebol.

Até ao final, mais uma grande penalidade para o PSG, após gentileza de Messi perante Mbappé. O avançado francês pegou na bola, colocou na marca, tomou balanço e… colocou a bola na bancada. A sorte? Estavam decorridos 90+4′ e o jogo acabou pouco depois. O PSG precisava de ganhar e conseguiu, ainda que com muita dificuldade, perante um Leipzig que leva agora 11 golos sofridos em três jogos. Os parisienses lideram o grupo, muito à conta da encarnação de um clássico checo nos pés de um astro argentino.