O ministro da Defesa Nacional defendeu esta terça-feira que a decisão “um pouco teatral” da Rússia de suspender a sua missão junto da NATO “não é sensata” e apelou a que Moscovo “saiba voltar ao diálogo” com a Aliança.

Em declarações à Lusa no Instituto de Defesa Nacional, em Lisboa, onde participou num seminário do Centro do Atlântico sobre o tema “Desconstruir o ecossistema multilateral de Segurança no Atlântico”, João Gomes Cravinho abordou a decisão russa de suspender a sua missão junto da NATO e de encerrar a representação da Aliança Atlântica em Moscovo.

“Eu penso que é uma reação desproporcionada e que não é sensata. Eu penso que é fundamental o diálogo entre a NATO e a Rússia, e naturalmente que esse diálogo terá que ter lugar. Para tal, é importante haver diplomatas russos”, salientou.

Rússia suspende a sua representação na NATO e encerra a da Aliança em Moscovo

O ministro da Defesa afirmou ainda que não tem dúvidas que “mais cedo ou mais tarde, por um pretexto qualquer que seja, os diplomatas russos voltarão a ter lugar junto da NATO”, adiantando que considera “desnecessário este tipo de manifestação um pouco teatral por parte da Rússia”.

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“Eu tenho pena, e o apelo que faço é que a Rússia saiba voltar ao diálogo com a NATO, um diálogo que, infelizmente, a Rússia não tem querido alimentar no último ano ou dois, mas que julgo importante”, indicou.

Na segunda-feira, a Rússia anunciou a suspensão da sua missão junto da NATO, bem como o encerramento da representação da Aliança Atlântica em Moscovo, após a recente retirada de credenciais a oito diplomatas russos por alegada espionagem.

“No seguimento de certas medidas tomadas pela NATO, deixaram de existir as condições básicas para trabalhar em conjunto”, declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros russos, Serguei Lavrov, precisando que estas medidas entrarão em vigor, em princípio, a partir de 01 de novembro.

No passado dia 6 de outubro, a NATO avançou que tinha retirado as credenciais a oito elementos da missão da Rússia junto da Aliança Atlântica, justificando que as pessoas em questão trabalhavam “de forma não declarada” como operacionais dos serviços de informações russos.

Podemos confirmar que retirámos as credenciais a oito membros da missão russa junto da NATO, que eram operacionais não declarados dos serviços de informações russos”, afirmou então uma fonte oficial da organização.

Nesse mesmo dia, a Aliança Atlântica também reduziu para 10 o número de credenciais para representantes que podiam ser solicitadas por Moscovo, o que representou uma diminuição da equipa da missão russa destacada na sede da NATO, localizada em Bruxelas.