Cerca de duas dezenas de trabalhadores dos bares e cantinas do Instituto Politécnico do Porto (IPP) manifestaram-se esta terça-feira junto ao polo de Vila do Conde, reivindicando a reabertura dos equipamentos, que foram encerrados em abril deste ano.

Deste então, estes trabalhadores, que pertenciam aos quadros de empresas que exploravam os bares e cantinas do IPP estão sem trabalhar, esperando que surjam novos concursos para que os equipamentos sejam reabertos.

“O IPP continua a não querer assumir os trabalhadores e, apesar de já ter aberto vários concursos, as empresas que inicialmente se mostram interessadas na concessão acabam por recuar, ora por que o concurso não é atrativo, ora porque as instalações não estão preparadas”, disse o líder sindical Nuno Coelho.

Este representante do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria, Turismo, Restauração e Similares do Norte, divulgou que no polo de Vila do Conde houve uma empresa que “tinha tudo pronto para começar a laborar nas cantinas a 1 de outubro, mas desistiu quando verificou que os equipamentos não estavam em condições”.

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“O IPP disse que já está a fazer obras e que irá substituir os equipamentos para poder reabrir. Mas, entretanto, a empresa desistiu e é preciso abrir outro concurso. Enquanto isso estes trabalhadores continuam prejudicados”, acrescentou Nuno Coelho.

O sindicalista vincou que também a comunidade escolar está a sair prejudicada deste processo “de avanço e recuos”, pois desde abril continuam sem ter acesso às cantinas e bares.

“Estão sem refeições nas cantinas e deparam-se com um aumento do custo de vida porque são obrigados a sair das instalações para ir comer fora e com preços mais elevados. Já recebemos a solidariedade da associação de estudantes”, divulgou Nuno Coelho.

Pela ação do sindicato, os trabalhadores conseguiram que a Segurança Social os apoiasse, desde junho, com uma prestação equivalente ao subsídio de desemprego, devido às suspensões dos contratos de trabalho, mas, ainda assim, não escondem o desânimo.

“Já estamos nesta incerteza há muito tempo, e cada vez estou menos confiante de que a situação se resolva. Só há pouco tempo começamos a receber apoio da Segurança Social, e se não fosse o auxílio da família já tinha faltado comida em casa. Estou muito desanimada”, desabafou Sandra Sousa, que trabalha nas cantinas e bares há 20 anos.

A trabalhadora confessou que já pensou desistir e tentar encontrar outro emprego, mas também sente que a comunidade escolar merece que continue. “Temos falado com os alunos e vemos que eles também estão desagradados com a situação. Pagam as propinas e não têm as cantinas e os bares a funcionar. Estão a trazer as refeições em marmita ou têm de ir a restaurantes. Sentimos o apoio deles para que tudo volte à normalidade”, afirmou.

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