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Esta quarta-feira, com toda a certeza, existiram pessoas que tiveram de desligar a televisão a meio da segunda parte do jogo entre o Benfica e o Bayern Munique. Foram beber um café depois de jantar, decidiram ver um episódio de uma série ou deixaram de procrastinar e foram pegar nos livros ou nas páginas de Excel. Para essas pessoas, que viram uma hora da visita dos alemães aos encarnados, dificilmente o Benfica iria ser goleado pelo Bayern como tinha sido vaticinado. Para essas pessoas, assim como até para aqueles que viram os 90 minutos, o resultado final foi uma total surpresa.

Darwin quis construir um castelo. Quando deixou a torre, as cartas caíram com um sopro (a crónica do Benfica-Bayern Munique)

O Benfica fez uma exibição muito positiva, esteve até perto de inaugurar o marcador mas acabou por desmoronar principalmente depois do segundo golo, um autogolo de Everton, e não conseguiu evitar a goleada. Os encarnados sofreram a primeira derrota nesta edição da Liga dos Campeões mas mantêm o segundo lugar do Grupo E, muito graças à vitória frente ao Barcelona e apesar de os catalães terem vencido Dínamo Kiev em Camp Nou. O Benfica sofreu quatro golos na Luz nas competições europeias pela terceira vez na história, continua sem conseguir ganhar ao Bayern Munique e somou uma das piores derrotas de sempre na Europa, apenas superada pelo próprio Bayern em 2018/19 e o Basileia em 2017/18.

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Na flash interview, Jorge Jesus garantiu que “frustração” não era o sentimento exato após o apito final. “Durante 75 minutos, o Benfica esteve sempre no jogo, disputou sempre o jogo. Sofreu de bola parada e, a partir daí, em cinco minutos sofremos dois golos. É essa a única frustração. Perder por quatro golos em função do que fizemos? Ok. Em relação ao jogo, não. Fomos uma equipa inteira até aos 75 minutos, depois da bola parada… Antes disso, quem teve duas grandes oportunidades foi o Benfica, com duas grandes defesas do guarda-redes, que praticamente defendeu dois golos. É um dos melhores do mundo e isso fez a diferença. Estávamos a alimentar o jogo até ao 1-0. A partir daí, o Gnabry foi o jogador que mexeu com o jogo, quebrou o lado esquerdo. Saio frustrado por levar quatro golos quando não merecíamos levar quatro golos”, explicou o treinador encarnado, ressalvando que é sempre possível “tirar coisas positivas”.

“Não merecíamos ter sofrido quatro golos em tão pouco tempo. Os jogadores frescos do Bayern mexeram com o jogo. Depois do golo, a equipa perdeu-se totalmente em termos posicionais. Estas derrotas magoam. Não levámos 4-0 num jogo em que fomos uma vez à baliza, criámos oportunidades. Quatro golos… Se estava preparado para isto? Não, nem pensar. Pensava que fossem, no máximo, dois golos, e que nós conseguíssemos marcar um ou dois. Nunca pensei sofrer quatro golos mas tenho de dar mérito ao Bayern, porque são jogadores que mexem com o jogo. Podíamos ter saído com golos marcados. O resultado podia ter sido outro”, terminou Jesus.

Com esta derrota e depois de também ter perdido contra o Portimonense na última partida do Campeonato, o Benfica leva dois jogos consecutivos a perder na Luz pela primeira vez há mais de três anos. Além disso, os encarnados não marcaram em ambos os encontros, algo que não acontecia desde 2008/09. Também depois do jogo, Darwin mostrou-se desiludido com o resultado final. “O Bayern é uma grande equipa. Estávamos a fazer um grande jogo. Sofremos de bola parada, eles foram para cima e nós desconcentrámo-nos. É um resultado que dói muito mas temos de esquecer e seguir. Não sei se o resultado foi injusto mas o Neuer fez um grande jogo. Tivemos oportunidades, se tivéssemos marcado seria um jogo muito distinto. Temos de continuar a trabalhar e pensar no próximo jogo. Não temos de baixar a cabeça, temos de melhorar a defender e a atacar”, explicou o uruguaio.